Mecânicos vão ter uma ajudinha extra para consertar carros. Foto: Ford.

Os mecânicos da rede de assistências técnicas da Ford no Brasil farão uso de realidade aumentada para ajudar no conserto de carros da marca.

Os profissionais usarão óculos da Epson modelo Moverio BT-300, um equipamento que no varejo custa ao redor de R$ 5 mil, para fazer contato com o serviço interno de help desk da montadora.

A novidade será iniciada como projeto-piloto no primeiro semestre deste ano em dez concessionárias de diferentes regiões do Brasil. 

Depois dessa fase, que servirá para a coleta de dados e para adquirir experiência com o uso da tecnologia e gerenciamento da operação, ela deverá ser expandida para toda a rede em 2020.  

Segundo Joaquim Arruda, diretor de Serviços ao Cliente da Ford, esta inovação é particularmente importante na medida em que os carros estão incorporando cada vez mais tecnologia embarcada. 

Mesmo um modelo simples como o Ford Ka têm sete computadores de bordo, enquanto os modelos top de linha chegam a ter mais de trinta. 

“É difícil para os mecânicos e eletricistas da rede de concessionárias se manterem atualizados, por isso este novo sistema possibilita uma maior agilidade no diagnóstico e solução dos defeitos mais comuns”, afirma Arruda.

O modelo BT 300 do Moverio foi lançado em 2016, como parte de uma movimentação geral do mercado para encontrar utilidades práticas para esse tipo de gadgets.

Uma das aplicações mais típicas é justamente melhorar o trabalho de técnicos de equipamentos complexos, oferecendo uma camada adicional de informação por meio do óculos, que podem transmitir por exemplo instruções sobre como executar uma tarefa.

A novidade foi apresentada pela Ford durante o Campus Party, evento de tecnologia que no qual a Ford está presente pelo sétimo ano consecutivo.

Já há uma década no Brasil, a Campus Party migrou das suas raízes, muito centradas em torno da cultura “nerd”, para ser um evento mais amplo de tecnologia, incluindo temas de empreendedorismo e palestras sobre tendências, por exemplo.

Um bom número de grandes marcas tem batido ponto no evento, incluindo a Ford, Visa, TV Globo e Petrobrás. Na área de TI, a IBM compareceu alguns anos (em um deles organizou uma chuva de bitcoin) e Oracle está presente neste ano.

No caso da Ford, a intenção é clara: se aproximar de um público jovem e engajado em novas tecnologias, um nicho que parece mais interessado em comprar um bom celular e pedir um Uber do que fazer um financiamento para adquirir o seu primeiro automóvel.

Além da questão dos óculos de realidade aumentada, que podem ser interessantes pela aplicação empresarial para o leitor médio do Baguete, mas que certamente não impressionam um jovem de 20 anos, a Ford também tinha outras novidades.

Em seu estande, a montadora destaca também a nova Ecosport Titanium Run Flat, que vem com pneu especial de série desenvolvido pela Michelin que permite ao condutor rodar a 80 km/h mesmo após ter furado. 

Através de sensores interligados ao painel, o motorista é alertado sobre a perda de pressão em tempo real. A partir do momento do furo, o carro pode rodar até 80 km de distância na busca por uma borracharia de beira de estrada.  Nada mal. 

Outra tecnologia em exposição é a central multimídia Sync, desenvolvido pela própria montadora utilizando como base o sistema operacional da Blackberry. 

O Sync é capaz de conversar com apps de celular como o Qual Farmácia, que é um comparador de preços de remédios vinculado ao sistema de geolocalização do veículo. Este app foi descoberto pelos engenheiros da Ford dentro da Campus Party em 2017 e incorporado ao Sync no ano seguinte. 

O público acostumado com alta tecnologia é difícil de impressionar: um pneu que não fura e um sistema de multimídia que não se atualiza over-the-air, como em um Tesla, pode acabar carecendo daquilo que os marqueteiros chamam de “efeito uau”.

Se considerarmos que a GM, Renault, Nissan e BMW já lançaram modelos 100% elétricos no Brasil, a Ford tem mais motivos ainda para se preocupar, já que a eletrificação não é a maior de suas prioridades. 

Se quiser realmente impressionar em 2020, qualquer montadora que decida participar da Campus Party deverá trazer no mínimo um carro elétrico, de preferência totalmente conectado e, se possível, apresentar algum protótipo de sistema autônomo de direção. 

Ninguém disse que seria fácil.

* Carlos Martins é idealizador da E-24, a primeira corrida de carros 100% elétrica do Brasil e escreve para o Baguete sobre temas relacionados com indústria automobilística e mobilidade. Confira o blog da E-24.