Enrique O'Reilly.

A Temenos Group, multinacional suíça de sistemas para core banking, está de chegada ao Brasil, iniciando uma operação local com sede em São Paulo e mirando os bancos grandes para levar suas soluções.

Com uma receita de mais de US$ 550 milhões anuais, atuação em cerca de 50 países, e clientes globais como Santander, Credit Suisse e JP Morgan, a empresa investiu na abertura de um escritório no Brasil para melhor atender as contas que já possui país, os bancos Votorantim e Itaú.

"Queremos aproximar nossa relação com estes clientes que já possuímos, aumentando nossa participação dentro dos sistemas destas instituições. Além disso, vemos muitas oportunidades para atender outros bancos", afirmou Enrique O'Reilly, gerente da Temenos para as Américas.

Conforme explica o gerente, o mercado brasileiro é o sexto na região a receber a marca, depois de Estados Unidos, Costa Rica, Equador, Argentina e México - com estes dois últimos países contando com centros de desenvolvimento.

A operação brasileira da Temenos está nas mãos de Noel Norking, executivo com experiência no setor de tecnologia para o setor financeiro. Nos últimos anos, ele liderou a divisão local da SunGard, especializada em soluções para bancos.

"Nossa expectativa para o país é a melhor possível. Atendendo à distância, já tínhamos 5% da nossa receita nas Américas vindo do Brasil. Esperamos escalar esse percentual para 15% até o final do próximo ano", afirmou O'Reilly.

Ao falar de produto, o gerente aposta nas soluções modulares de core banking e em sua expertise em softwares de private banking, voltados às divisões de bancos com atendimento personalizado e para consultores financeiros particulares.

"Internacionalmente somos referência em tecnologias especializadas em finanças particulares, e esperamos crescer com nossa presença neste segmento no Brasil", avalia o executivo.

Quanto aos softwares de core banking, O'Reilly admite o desafio de entrar na estrutura bancária no país, que ainda tem suas bases em sistemas legados, muita regulamentação e alta complexidade dos ambientes, alguns deles ainda baseados em antigas plataformas desenvolvidas internamente.

Para emplacar suas ofertas, a Temenos aposta na estrutura modular das soluções e nas customizações que a empresa fez em seus softwares para atender às demandas locais.

"Os bancos podem começar por divisões que não afetem diretamente as contas de seus clientes, como na parte de câmbio, por exemplo. As implementações podem ser feitas de acordo com a demanda e satisfação dos clientes", completou o gerente.

Inicialmente, as ofertas em software da Temenos serão em implementações on-premise, operando com parceiros internacionais que possuem atuação local, como Accenture, Tech Mahindra e Wipro.

"Além disso, estamos em buscas de outros parceiros nacionais especializados, como fizemos recentemente com a BRQ. Além disso, queremos nos alinhar com desenvolvedores para aperfeiçoar nossas plataformas e adequá-las a exigências locais", frisou O'Reilly.

Para completar, no futuro, a empresa pretende trazer ao país um pacote de softwares em nuvem, em uma parceria que a companhia tem globalmente com a Microsoft. 

Vale lembrar que a MS tem um data center no Brasil, o que evita questões sobre o armazenamento de dados financeiros em território estrangeiro.

O interesse da Temenos no mercado brasileiro é justificado. Segundo a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária aponta que o setor financeiro investiu R$ 21,5 bilhões em tecnologia da informação e comunicação ao longo de 2014. 

O valor apresenta um crescimento de apenas 3,3% frente aos R$ 20,8 bilhões aplicados pelo setor no ano anterior.

A indústria financeira mantém uma média de crescimento anual de 6% nos investimentos em TI, assim como representa 18% do total de gastos com tecnologia, percentual semelhante a países como Estados Unidos, França e Argentina.