Sites e apps acabam com a necessidade de um agenciador para promover encontros.

Prostitutas e clientes sempre precisaram de esforço para organizar encontros. Saber sobre a profissional e o serviço não é tarefa fácil, assim como conseguir recomendações. A internet está mudando esse cenário e também acabando com a necessidade de um agenciador para promover encontros entre profissionais e clientes.

Segundo o The Economist, sites especializados e aplicativos estão permitindo que a informação flua diretamente entre comprador e vendedor, tornando os acordos mais fáceis. 

A revista americana acredita que o comércio do sexo é um mercado cada vez mais fácil para se entrar e mais seguro para se trabalhar. Hoje as prostitutas podem avisar as colegas sobre os clientes violentos e fazer verificações online antes de aceitar um consumidor.

Além disso, páginas pessoais permitem a organização de encontros e o recebimento de feedback dos clientes. Os sites de avaliação se tornaram uma referência para quem procura os serviços.

A mudança on-line está iluminando partes da indústria do sexo que há muito tempo se escondiam. As prostitutas de rua sempre atraíram a maior parte da atenção por tocarem seus negócios em lugares públicos, mas em muitos países ricos, são uma minoria de todos os profissionais do sexo. Nos Estados Unidos, são apenas de 10% a 20%, estima Ronald Wiesler, um sociólogo da Universidade George Washington.

A riqueza de dados disponíveis on-line possibilita análises desta parte maior e menos examinada do mercado do sexo: a prostituição que acontece em locais fechados.

Sites como o AdultWork permitem que prostitutas, tanto que trabalham de forma independente ou que trabalham através de agências e bordéis, criem perfis para que os clientes entrem em contato. As profissionais podem carregar informações detalhadas sobre si mesmas, a gama de serviços que prestam e as taxas que eles cobram. Os clientes podem fazer buscas por idade, tamanho do manequim, orientação sexual, localização, entre outras opções.

A publicidade e agendamento on-line dão às prostitutas flexibilidade sobre onde trabalhar. Elas podem fazer divulgações em páginas próprias ou com perfis em sites especializados. 

O Economist analisou 190 mil perfis em um site internacional de avaliação de profissionais do sexo. Cada perfil inclui comentários de clientes, características físicas, os serviços que oferecem e o preço que cobram.

O site apresenta apenas mulheres e os dados abrangem 84 cidades em 12 países, com o maior número de trabalhadores nos EUA e na maior parte das grandes cidades em países ricos. 

A análise revela uma queda na taxa média cobrada pelas prostitutas por hora nos últimos anos. Uma das razões foi o momento após a crise financeira de 2007 e 2008. Os dados globais mostram que de quase US$ 350 em 2006, a taxa cobrada caiu para pouco mais de R$ 250 em 2014.

Migração em grande escala é outra razão para a queda dos preços. Cidades grandes e ricas são ímãs para imigrantes de todas as profissões, incluindo trabalhadores do sexo. Outro fator é a inexperiência, pois os recém-chegados à prostituição acabam baixando seu preço, pelo menos no início.

O relatório também apontou que a aparência importa muito. Os clientes que relataram encontros no site analisado valorizam as características estereotipadas de beleza ocidental. As mulheres mais procuradas são as atléticas, loiras, com cabelos longos e busto tamanho grande.

O quanto bordéis e casas de massagem usam a internet depende de leis locais. Restrições legais dos Estados Unidos fazem com que os estabelecimentos do país mantenham a discrição, tanto offline como online. 

Na Grã-Bretanha, onde os bordéis são ilegais, embora a prostituição não seja, casas de massagem anunciam os turnos e os preços dos seus trabalhadores online, mas não esclarecem todos os serviços prestados. Em contraste, um mega-bordel na Alemanha chamado Paradise possui um site franco e informativo. 

Mas é para trabalhadoras do sexo independentes que a internet faz a maior diferença. Scott Cunningham, da Baylor University, tem monitorado o número de profissionais do sexo em cidades americanas em um site de reviews. Em 2008, quando a publicidade on-line para o sexo comercial decolou, a participação descrita como independente cresceu. 

Em 2008, as convenções republicanas e democráticas foram realizadas em Minneapolis e Denver, respectivamente. Cerca de 50 mil visitantes reuniram-se em cada cidade. 

Outro estudo realizado por Cunningham e Todd Kendall, da Compass Lexecon, descobriu que o número de anúncios de sexo na seção, agora extinta, de “serviços eróticos” do Craigslist, um site de classificados, cresceu 41% em Minneapolis e 74% em Denver no período dos eventos.

Além da divulgação pessoal, a internet também coloca as profissionais em contato. Muitas tiram dúvidas em pedem conselhos em fóruns sobre o assunto. Os grupos permitem que as prostitutas compartilhem dicas sobre segurança e legalidade.

Entrando no mundo on-line, as prostitutas não precisam mais contar com os intermediários, como bordéis e agências ou cafetões e cafetinas, para angariar negócios ou proporcionar um local, o que significa mais independência.

Isso também significa mais tempo, esforço e conhecimento colocado em marketing, para conseguir um bom site e colocação privilegiada em ferramentas de busca.

Enquanto isso, algumas formas tradicionais de prostituição estão enfrentando dificuldades. Em 2010, o número de clubes de sexo licenciados na Holanda caiu em mais da metade, de acordo com um estudo da Platform31, uma rede de pesquisa holandesa.