Paulo Guedes quer você no Ministério da Economia. Foto: Marcos Corrêa/PR

O Ministério da Economia vai contratar temporariamente 350 profissionais de TI para atuar em projetos de “transformação digital”.

Os candidatos deverão passar por processo seletivo simplificado, a ser realizado dentro de seis meses.

Os aprovados poderão assinar contratos com duração de até quatro anos com o Ministério da Economia, que definirá a remuneração dos profissionais. 

Não há informação sobre quais são os projetos a serem executados. Os perfis a serem contratados incluem especialistas em gestão de projetos, infraestrutura, ciência de dados, segurança da informação, análise de processos, experiência do usuário (UX) e desenvolvimento de software.

A contratação desagradou parte do empresariado de TI. A Assespro, que representa 2,5 mil empresas brasileiras, a maioria de pequeno e médio porte, soltou uma nota pública criticando a decisão, que seria “nociva ao mercado”.

“Seria importante que o governo promovesse um diálogo mais aberto, direto e contínuo com as empresas do setor visando a construção de políticas de compras públicas e contratações mais eficientes para o Brasil”, afirma o presidente da Assespro Nacional, Italo Nogueira.

A Assespro defende que o governo contrate empresas para atender suas necessidades e não profissionais diretamente no mercado.

Nos últimos tempos, a entidade questionou outras decisões do governo federal, principalmente relativas ao Serpro, que desponta como o articulador da nova estratégia de TI de Brasília.

O governo, por sua parte, parece estar ignorando olimpicamente as empresas do setor de TI, ou pelo menos as empresas do perfil representado pela Assespro.

Ela se resume em dois eixos: fazer crescer o Serpro, tornando ele um ativo mais interessante para uma eventual privatização e tornar a estatal uma intermediária para a contratação de gigantes internacionais de computação em nuvem como a AWS.

“Primeiro, veio o Serpro fazer contrato/parceria com as maiores estruturas de empresas multinacionais para venderem para o governo. Depois, vários ministérios fazem acordos e termos de parceria só com os gigantes, para a “Transformação digital brasileira”. Agora vem essa ideia de contratar profissionais diretamente para promoverem essas transformações”, resume Nogueira.

Mais recentemente, o governo passou a negociar descontos no atacado com empresas como a Microsoft, que topou reduzir seus preços em 22%. 

De novo, críticas da Assespro, que falou em "coordenação anticompetitiva de preços por parte dos competidores de maior porte e barreira à entrada de empresas de menor porte”.