Aos 74 anos, fundador da Oracle decidiu voltar para a operação diária. Foto: Oracle PR.

Larry Ellison, fundador da Oracle, hoje com 74 anos, decidiu botar a mão na massa e voltar a se envolver diretamente com os produtos da empresa, depois da saída para o Google de Thomas Kurian.

Kurian era presidente de desenvolvimento de produto e responsável pelo negócio nuvem dentro da Oracle, respondendo diretamente para o dono Larry Ellisson, de quem chegou a ser apontado como potencial sucessor. Hoje é CEO do Google Cloud.

De acordo com o site The Information, citando fontes anônimas, Ellison agora vai à sede da empresa três dias por semana, e passa horas em reuniões com os gerentes da companhia, incluindo aí sessões técnicas aprofundadas.

A missão de Kurian era fazer uma virada no modelo de negócios da Oracle, transformando ela de uma vendedora de hardware em uma  líder em serviços de cloud e plataforma.

Por um tempo, as coisas foram bem, mas recentemente a Oracle tomou a decisão de divulgar as vendas de software, plataforma, infraestrutura como serviço e as boas e velhas licenças de software num número só.

A tese vendida pela Oracle era que a movimentação visava refletir melhor a aquisição de modelos híbridos de software, mas a novidade foi interpretada como uma estratégia para esconder números ruins de crescimento na nuvem. 

O mercado não gostou:  Warren Buffet, um investidor conhecido por comprar e reter participações de empresas no longo prazo, vendeu aproximadamente US$ 2 bilhões em ações da Oracle.

Junto com isso, um executivo vindo da AWS, a líder de mercado, teria assumido parte das responsabilidades de Kurian, um executivo com duas décadas de casa que reportava diretamente a Larry Elisson, coisa que nem os dois co-CEOs da empresa fazem. 

Ao que parece, a relação de Kurian com Elisson azedou, levando Kurian a ir para o Google (onde, aliás, Kurian quer por em prática uma estratégia comercial agressiva a la Oracle). 

Meses depois, Amit Zavery, VP de Oracle Cloud Platform (PaaS), Middleware, Analytics e Java da Oracle, também foi contratado pelo Google para assumir o cargo de VP de Engenharia.

Pelo visto, Ellison decidiu voltar para o dia a dia da empresa, provavelmente movido pela sua obsessão em derrotar a AWS, algo que parece ter motivações pessoais para o fundador da Oracle, um ícone do mercado de tecnologia.

Há anos, Ellison não perde uma ocasião de provocar a concorrente.

Na última conferência mundial da Oracle, Elisson resumiu o modelo de negócios da AWS por meio de uma comparação com os carros semi autônomos: “Você entra, você começa a dirigir, você morre”.

É uma alusão a acusação frequente de que a AWS facilita a entrada dos seus clientes na nuvem, mas complica a saída ao ponto de gerar um “lock in”, o que, vamos ser sinceros, é o modelo de negócio de boa parte da indústria de tecnologia no final das contas.

A Oracle também promove uma batalha judicial contra a AWS para impedir a empresa de levar um contrato de US$ 10 bilhões com o Pentágono.

De uns tempos para cá, a Amazon deu por responder.

Em abril, a empresa fez uma pequena comemoração, com direito a discursos e um funcionário fantasiado, para festejar o que disse ser o desligamento do último banco de dados Oracle usado na empresa.