Heitor Klein. Foto: Divulgação

A Associação Brasileira de Calçados (Abicalçados), com sede em Novo Hamburgo, firmou um convênio com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Indústria (ABDI), em parceria com a GS1, para desenvolver, ao longo de 2012, um conjunto de softwares que formará uma plataforma virtual de integração entre empresas da cadeia calçadista.

O projeto, divulgado durante o evento Brasil em Código, realizado pela GS1 em São Paulo nesta quinta-feira, 14, visa a ampliar a padronização de sistemas de identificação, abastecimento, logística e gestão da cadeia de suprimentos da área.

A iniciativa expande o exemplo iniciado em 2002 pelo Grupo de Otimização Logística do Setor Calçadista e de Acessórios (GOL), que criou uma unidade junto a entidades e fabricantes do ramo, transportadoras, fornecedores e varejistas com foco na padronização do setor.

Dali, um projeto piloto com identificação de materiais por código de barras foi realizado na Calçados Azaléia, validando a iniciativa: desde então, todos os produtos de fabricantes envolvidos no projeto passaram a sair da fábrica com código de barras.
 
No trabalho do GOL, a GS1 entrou com o padrão de códigos, seu produto mais conhecido. No novo convênio, a entidade do setor de automação entra com a base de padrões para desenvolvimento da plataforma de software.
 
Conforme o diretor-executivo da Abicalçados, o gaúcho Heitor Klein, o modelo de operação logística definido pela iniciativa deverá contemplar três requisitos básicos.
 
O primeiro, a troca eletrônica de dados no padrão internacional de mensagens, por meio do uso de arquivos com estrutura única.
 
"Isso permite o envio e recebimento de dados, incluindo ordens de compra, aviso de despacho, tabelas de preço e nota fiscal, sem a necessidade de customizações a cada novo relacionamento comercial", comenta o diretor.
 
O segundo requisito é uma padronização de processos e integração tecnológica das empresas para eliminação de perdas na movimentação logística de cargas e no trânsito de informações.
 
Já o teceiro refere-se à identificação de produtos, expedidos por meio de sistema de código de barras, permitindo ganhos com automação, movimentação e rastreabilidade.
 
SEM PENETRA
Ivair Kautzmann, gerente de TI da Via Marte, uma das empresas participantes do GOL e da nova iniciativa da Abicalçados, explica que o download do software será gratuito para empresas que desejem testá-lo.
 
Entretanto, se se interessarem em usá-lo, as companhias terão de ligar para uma indústria calçadista autorizada pelas entidades a habilitá-lo.
 
"É uma forma de evitar que empresas de outros ramos usem a ferramenta sem autorização", destaca Kautzmann.
 
EXPANSÃO
Mais tarde, o projeto entrará em uma segunda fase, com apoio do Sebrae, para disseminar a plataforma e a cultura de padronização entre as indústrias calçadistas e seus fornecedores.
 
Conforme Klein, a meta é assegurar a todas as empresas interessadas o acesso ao programa com um custo mínimo, não detalhado.
 
"Quanto maior for a adesão das indústrias, fornecedores e varejo ao padrão, maiores serão os ganhos econômicos advindos da redução de perdas por espera de retrabalhos com as mercadorias ou informações que fluem por meio das companhias", ressalta o diretor da Abicalçados.
 
Ganhos que, também na análise do gestor, podem auxiliar na recuperação do setor calçadista brasileiro, que apesar de ter tido saldo positivo em 2011, quando somou US$ 868,5 milhões, foi menor do que em 2010, quando alcançou US$ 1,1 bilhão.
 
No ano passado, o faturamento da área com exportações caiu 12,8% em relação a 2010, somando US$ 1,3 bilhão.
No mesmo período, o volume de produtos importados cresceu 40,4%.
 
Um cenário em que a palavra de ordem, segundo Klein, é competitividade - especialmente frente a Ásia, de onde vêm os produtos cujos preços assolam a fabricação nacional.

"Um sistema como esse proporcionará ganhos de competitividade, garantindo como maiores benefícios a integração de processos entre fornecedor e cliente, em uma padronização que se traduz na melhor forma de monitorar toda a cadeia produtiva, já que se ganha em precisão, eficiência na entrega e consequente redução de custos", finaliza o diretor.