TENDÊNCIA

A evolução humana e o design thinking

14/01/2019 16:33

A metodologia surfa na onda do trabalho em grupo, que nos fez vencer os grandes desafios de outras matérias em outros tempos.

Rafael Zabotini Venjenski é analista da CINQ Technologies. Foto: Divulgação.

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Por Rafael Zabotini Venjenski*
Nós, como seres humanos, somos por natureza solucionadores de problemas. A evolução da humanidade se deu por meio dela: questões relativas à alimentação, desafios relativos à temperatura, proteção contra predadores, doenças, pragas etc. São inúmeros casos em que conseguiríamos listar essa capacidade extraordinária de adaptação e evolução.

O advento da informática trouxe inovações antes inimagináveis, contudo também nos fez seres mais individualistas e fechados quanto à nossa sociedade. A produção de software, a principal interface entre o ser humano e a informática, importou os moldes produtivos da indústria padrão e criava em série produtos complicados e de nicho, que – na maior parte das oportunidades - criavam barreiras ao invés de transformar vidas, conforme prometiam nas propagandas de televisão. E então veio a revolução dos Smartphones, que cimentou a individualidade humana de vez.

Esse contexto parece complicado, e pensando no cenário atual da humanidade, elenco que o nosso grande passo evolucional seja ressignificar a tecnologia para pessoas: ela tem de ser nossa aliada, não algo para que façamos cara de medo ou criemos resistência toda vez em que temos de entrar em contato. Para que esse movimento aconteça, uma reflexão inicial interessante é pensarmos em como evoluímos até aqui. Em uma análise rápida dos estudos de história e geografia, diria que evoluímos trabalhando em grupo.

 

E o Design Thinking?

A metodologia surfa na onda do trabalho em grupo que nos fez vencer os grandes desafios de outras matérias em outros tempos, e agora, nos auxilia a encarar as grandes batalhas do mundo digital. Envolver todos no processo de ideação, tomada de decisão e criação traz inovação real, pois temos múltiplas perspectivas humanas do problema, além das mais variadas maneiras de atacar a situação para atingir uma solução. Um dos maiores problemas que temos hoje é a imposição de visões, sendo que somos plurais e isso deve ser respeitado.

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Dentro da metodologia, o Duplo Diamante é a forma reconhecida como guia para o processo de solução. Apesar de ser algo, à primeira vista, descontraído e mais solto que as reuniões corporativas as quais estamos acostumados, visamos objetivos de qualquer maneira, logo se faz necessário saber quando estamos expandindo (Empatia e Ideação) e qual o momento de focar nas ideias levantadas para convergirmos a um ponto enriquecedor (Definição, Prototipação e Testes).

Além de vencer desafios, as soluções provenientes de rodadas de Design Thinking compõem produtos homogêneos, que são formados por visões heterogêneas e que respeitam a diversidade de quem os utiliza: há sensação de ser um pouco dono do que se produz, pois todos contribuíram. O fluxo de fazer um pedido, cadastrar uma nota fiscal, gerar um boleto ou mesmo uma compra foi discutido amplamente e ideado com quem de fato faz isso no dia-a-dia, e assim, elimina-se a estranheza e a sensação de que você tem que se adequar a algo novo imposto por um terceiro que nada sabe sobre a sua empresa.

 

Por que Design Thinking no desenvolvimento de Software? Qual seu valor? 

Os softwares são utilizados diariamente para auxiliar nossas tarefas, das mais básicas às mais complexas, sejam pessoais ou profissionais: controlar os horários de um medicamento, alugar apartamentos, se deslocar pela cidade, emitir notas fiscais, controlar estoque e até mesmo desenvolver outro software. Adicionado a isso, muitas vezes não pensamos sobre os custos para desenvolvimento, que não são baixos, visto que queremos bons resultados e esses envolvem uma equipe de profissionais capacitados. Porém, de que adianta uma equipe capacitada tecnicamente sem saber como é a realidade de quem utilizará esse software? Ou mesmo iniciar o desenvolvimento para descobrir semanas adiante os requisitos do cliente que não foram descobertos anteriormente e que levarão a um intenso retrabalho, horas extras da equipe, atrasos, elevando o custo, estresse e bugs do produto?

É aí que o Design Thinking agrega valor, com a imersão juntamente ao cliente são descobertas as jornadas dos usuários, as personas que usarão, os pontos de contato delas com o software durante sua rotina, bem como suas prioridades. Assim, fica claro definir um fluxo de uso, além de prototipar e validar com o cliente antes de iniciar o desenvolvimento. Diz-se que essa fase é a de prototipação barata, feita em papel mesmo, para verificar se o que foi traçado faz sentido para o cliente. Conforme já havia dito antes, todo o fluxo já foi discutido e ideado com quem usa o sistema, não há imposição em nenhum momento.

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Assim, os responsáveis do time pela programação podem focar apenas nos desafios técnicos, pois o software já foi desenhado e validado anteriormente. Reduzimos também a temida Dívida Técnica, que ronda as cabeças dos gerentes de projetos, consumindo tempo de Sprints que não começaram ainda e reduzindo os índices de rendimento dos projetos como um todo.

 

E quem pode ser Design Thinker?

Todos. É interessante saber que o Design Thinking é uma metodologia de projeto, comumente atribuída aos designers de formação, porque estão em contato com ela durante a faculdade. Mas que deve ser encarada como algo que celebra a forma que pessoas pensam sobre projetos, a qual respeita diversidade do grupo e, acima de tudo, inclui transdisciplinaridade ao processo.

A metodologia fomentada pela IDEO, uma das agências de Design mais famosas do mundo, é democrática e envolve todos os níveis hierárquicos envolvidos no fluxo a ser reproduzido dentro do software. Afinal, como citei no início do artigo, somos TODOS solucionadores de problemas, lembra? Utiliza-se de post-its e outros métodos criativos do Design para garantir que todos tenham voz igualmente durante todo o processo e para nos livrar das amarras do certo e errado: quanto mais ideias, melhor. Lapidar faz parte do processo, mas é um passo adiante.

Para aprofundamentos, um dos livros que discorrem sobre a metodologia é o Design Thinking – Por Tim Brown (ISBN-10: 8550801348) e é leitura recomendada a todos. Já para quem é ligado em cases e adora saber sobre aplicação prática antes mesmo de ter uma ideia geral formada sobre a metodologia, há vários casos expressivos nas mais diferentes áreas de mercado neste ótimo site (em inglês): https://thisisdesignthinking.net

*Rafael Zabotini Venjenski  é analista da CINQ Technologies.

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