Marshall Choy. Foto: divulgação.

Mesmo com o recente anúncio em que se declarou abertamente uma companhia voltada à nuvem, a Oracle ainda acredita no potencial de sua divisão de hardware, indo contra a noção de um futuro onde o "ferro" se tornará uma commodity.

Quem garante isso, pelo menos para o futuro próximo, é o diretor de Systems Solutions da multinacional, Marshall Choy, que esteve no Brasil para o Oracle Hardware Solutions Forum, em São Paulo.

Segundo Choy, a companhia aposta alto em suas soluções de infraestrutura convergente e engineered systems, ofertas de hardware otimizados para aplicações e demandas específicas dos clientes.

"Focamos em hardwares otimizados para todo tipo de aplicação, seja local (on premise) ou em nuvem. Vejo que o hardware ainda terá muito espaço em infraestruturas de cloud híbrida", avalia o executivo.

Para sustentar os planos de crescimento na parte de hardware, Choy aponta três abordagens principais. A primeira é o tradicional modelo de vendas que a empresa já usa desde 2009, quando adquiriu a Sun Micosystems, com produtos para clientes com infraestruturas mais tradicionais.

"As outras duas estratégias envolvem o desenvolvimento de sistemas convergentes, produtos de maior eficiência e dedicados para aplicações de clientes. Além disso, outro foco é a inclusão de software em nossa oferta de hardware", complementa o diretor.

Um exemplo destas novidades foi o lançamento do Sparc M7 processor, chip com software integrado no próprio processador, que calcula dados centrais dentro da própria placa, com maior rapidez e segurança.

"É algo que mudará paradigmas na computação, resultando em melhor performance e segurança, assim como eficiência e economia para os clientes. Hoje o hardware precisa ser ágil, mas o custo-benefício é o que faz a diferença", revela Choy.

Na parte de sistemas convergentes, a Oracle investiu na integração de seus hardwares não apenas com seu extenso portfólio de softwares, mas também com terceiros como SAP, SAS e outras. "Estamos sempre ouvindo nossos cliente", afirmou Choy ao comentar as parcerias.

Por falar nos clientes, o executivo não teme as previsões de uma queda no faturamento de hardware, frente a um mercado onde a nuvem deve ganhar a maioria dos negócios e o hardware deve ficar por conta de provedores e poucas companhias.

Segundo dados da Baird Equity Research Technology, divulgados no início deste ano, para cada dólar gasto com cloud pelas empresas, cerca de US$ 3 a US$ 4 eram não gastos na compra de equipamentos tradicionais de TI.

Até mesmo o manda-chuva Larry Ellison, durante o Oracle Open World, em San Francisco, acenou para um futuro nestes moldes, exaltando sua presença na nuvem e como provedora de soluções como serviço (SaaS), o que deixaria a oferta de hardware em segundo plano. Choy tem outra visão.

De acordo com o diretor, o hardware ainda terá importância nos próximos anos, inclusive com um papel maior do que tinha antes. Segundo ele, os produtos auxiliarão os clientes a "atacar" novas aplicacoes e servicos de forma otimizada.

"Nosso foco é entregar tecnologias de ponta, mas também agregadas de valor, seja com aplicações ou com eficiência de custo, para nossos clientes. O hardware ainda terá uma grande participação nisso", finaliza.