Se machucou e sentiu? Toma um Kyndryl. Foto: Pexels.

A IBM revelou o nome da nova empresa criada a partir do spin off da unidade Global Technology Services, atuante no ramo de gerenciamento de infraestrutura: Kyndryl.

Mesmo aqueles entre nós que não são especialistas em criação de marcas não poderão deixar de notar que Kyndryl parece um nome de remédio para dor de cabeça, cólica menstrual ou queimaduras.

De acordo com a IBM o nome é uma “adaptação moderna” de duas palavras centrais à identidade e missão da nova empresa: “kinship” e “tendril”.

Traduzindo, kinship significa algo como “parentesco” ou “familiaridade” e tendril é “gavinha”. Se você não sabe agora mesmo o que é uma gavinha, não tem problema, este repórter também não sabia.

Uma gavinha é um órgão preênsil presente nas plantas trepadeiras, através do qual a planta consegue, bem... se agarrar, isso, se agarrar em outros ramos, galhos, folhas e assim por diante. 

A ideia de evocar o conceito de familiaridade é que as relações entre empregados, parceiros e clientes estão no centro da estratégia e que relações de longo prazo devem ser construídas e nutridas, explica a Kyndryl em nota. Já a parte botânica da metáfora remete ao conceito de crescimento contínuo.

“Kyndryl evoca o espírito de verdadeira parceria e crescimento”, explica Martin Schroeter, CEO da nova empresa. 

O novo nome é produto de alguns meses de trabalho. A decisão de separar a unidade Global Technology Services e criar uma nova empresa com ações na bolsa foi anunciada em outubro. Até agora, o novo negócio era tratado apenas como NewCo.

A nova Kyndryl trabalhará com desenvolvimento de projetos, ao gerenciamento e à modernização da infraestrutura dos clientes, tendo mais liberdade para trabalhar com outros provedores de nuvem, além da IBM.

A IBM, por sua vez, poderá se concentrar nas áreas determinadas a algum tempo como o futuro da empresa, como computação em nuvem, inteligência artificial e outras.

Hoje, os negócios relativos à infraestrutura de TI responde por cerca de 25% das vendas da multinacional, que faturou US$ 77,1 bilhões no ano fiscal de 2019. 

A nova empresa nasce com 4,6 mil clientes em carteira, com presença em 115 países e com uma carteira de pedidos de US$ 60 bilhões.

Hoje, a multinacional conta com 352 mil funcionários e 90 mil deverão migrar para a nova empresa. 

Os custos operacionais para a divisão dos negócios são estimados em cerca de US$ 5 bilhões. E a Kyndryl já nasce com uma receita anual de US$ 19 bilhões.

BRASILEIRA TEM PAPEL CHAVE

Ana Paula De Jesus Assis, ex-gerente geral da IBM para América Latina, tem um papel central na criação da Kyndryl.

A executiva é a “Client Transition Leader” (ou líder de transição do cliente), responsável por fazer a transição dos clientes da IBM que passarão a ser atendidos pela nova, Kyndryl um processo que deve durar até a segunda metade de 2021.

Pelo que parece, uma boa parte significativa do tempo de Assis deve ser ocupado agora soletrando Kyndryl e explicando a origem do nome. É uma situação com que nós do Baguete podemos nos identificar.