André Torretta, fundador da consultoria Ponte Estratégia. Foto: Divulgação.

A empresa de pesquisa Cambridge Analytica, que atuou nas campanhas do Brexit, no Reino Unido, e de Donald Trump, nos Estados Unidos, terá uma operação no Brasil.

Por meio de um acordo com André Torretta, fundador da consultoria Ponte Estratégia, voltada para a classe C e conhecido no mundo do marketing político, a companhia vai abrir nos próximos dias um escritório no país. 

De acordo com o Valor Econômico, o investimento na operação é de aproximadamente US$ 1 milhão.

Fundada há quatro anos como uma divisão da empresa inglesa de comunicação e estratégia Strategic Communication Laboratories (SCL), a Cambridge tem entre seus investidores o bilionário americano Robert Mercer, um dos maiores doadores da campanha de Trump e dono do fundo Renaissance Technologies. 

Até o final do ano passado, a Cambridge Analytica tinha em seu conselho Steve Bannon, estrategista-chefe da Casa Branca.

A Cambridge Analytica tem atuação  baseada em big data. Em seu site, a empresa afirma que coleta até cinco mil tipos de informação de mais de 220 milhões de americanos e usa mais de 100 variáveis para modelar grupos de audiência e prever o comportamento de pessoas com modo de pensar semelhante.

O Valor relata que para alguns analistas, essa abordagem foi a grande responsável pela vitória de Trump, ao permitir uma comunicação bastante precisa com os eleitores. Antes de assessorar Trump, a companhia apoiou o senador Ted Cruz, adversário de Trump nas prévias do Partido Republicano. 

Alexander Nix, fundador e presidente da Cambridge, declarou ao Valor que a empresa está presente em 21 países e já fez trabalhos em mais de 100. Todas as operações internacionais da Cambridge são abertas por meio de parcerias com empresas ou empresários locais.

De acordo com Torretta, a atuação da empresa nas próximas eleições brasileiras poderá se dar de duas formas: pela venda de acesso aos sistema de análise de dados e pela atuação na estratégia da campanha. No primeiro caso, vários partidos e candidatos poderão ser clientes. Já no trabalho estratégico, a atuação será limitada a apenas um candidato.

Mas em um cenário de orçamentos de campanha possivelmente reduzidos para o pleito de 2018, será que vai sobrar recursos para contratar a Cambridge? "O que a gente cobra é insignificante frente aos grandes custos de uma campanha", disse Nix. Segundo registros oficiais, a campanha de Trump pagou US$ 6 milhões à Cambridge, de um orçamento de US$ 957,6 milhões.

A Cambridge usa a metodologia OCEAN, que avalia atitudes e estilo de vida das pessoas por meio de cinco critérios: abertura para novas experiências, consciência, sociabilidade, extroversão e o nível de preocupação do indivíduo.

Os perfis podem ser traçados por meio de informações obtidas em bancos de dados públicos - IBGE e outros órgãos de governo - e também de bases privadas (Serasa Experian, Bluekai, Navegg, Facebook, por exemplo) e fornecidas pelos clientes.