Executivos da TechxAct estiveram em Campinas. Foto: Divulgação/Prefeitura de Campinas

A TechxAct, uma empresa americana especializada em certificação e construção de data centers, projeta construir três centros de dados no Brasil, com um investimento total de US$ 5,4 bilhões (isso mesmo).

Segundo informa a Reuters, Campinas, Sorocaba e Recife estão entre as cidades disputando o investimento. A decisão final deve se feita ao longo dos próximos seis meses.

Como se ainda não fosse bastante, o valor poderá chegar a US$ 19 bilhões em 10 anos após o início das atividades do projeto.

De acordo com as estimativas de geração de empregos que se costumam fazer nessas ocasiões, a iniciativa deve gerar 20 mil empregos diretos em cada município e 43 mil indiretos ao longo da execução total do programa.

Pelo menos, é o que prometeram o chairman da TechxAct, G.H. Paryavi, e o vice-presidente de alianças estratégicas, Carlos Tavares, que estiveram reunidos em Campinas com o presidente da Investe São Paulo, Juan Quirós, e o prefeito da cidade, Jonas Donizette.

O objetivo do investimento seria atender clientes da companhia que não querem ter seus dados armazenados nos Estados Unidos, presumivelmente pelo temor de que eles possam ser espionados pelas agências de segurança do governo americano.

“O Brasil é um país sem problema político com nenhum outro país. Qualquer cliente nosso não tem problema nenhum em colocar seus dados no Brasil. Este é talvez o maior ativo do país para a nossa indústria”, disse Tavares à Reuters.

Não está muito claro como a TechxAct vai executar a sua tacada bilionária. A companhia não é propriamente um player no mercado de data center como a Amazon Web Services ou a Equinix.

A especialidade da TechxAct é projetar, construir e certificar centros de dados, uma combinação da Aceco com o Up Time Institute, dona da certificação Tier.

O presidente da empresa, Mehdi Paryavi, é também o chairman do International Data Center Authority, que promove um framework de certificação de data centers concorrente do Tier.

Segundo a reportagem do Baguete pode apurar com fontes de mercado, um dos fortes da TechxAct é trabalhar projetando os data centers do governo americano. 

No Brasil, os executivos da empresa disseram atender mais de 1 mil clientes. Pelo modelo de negócio da companhia, os novos centros seriam construído sob comissão para alguns deles.

“O investimento é viável. Acreditamos que todas as incertezas políticas e econômicas vão se resolver. As pessoas que se mantêm otimistas enquanto todas as outras estão pessimistas são as que vão vencer", comentou também à Reuters Paryavi. “Nosso negócio não depende da economia brasileira. A única coisa essencial para o nosso negócio é o aumento do volume de dados de nossos clientes”, agregou Tavares.

No entanto, não parece ser prudente dar como favas contadas que o investimento chegue a se concretizar.

A Investe SP, por exemplo, utilizou uma citação cautelosa do seu presidente para encerrar o press release sobre o assunto distribuído para a imprensa: “Sabemos que a empresa tem intenção de criar um triângulo na América do Sul. Vamos assinar um memorando de entendimentos”, afirma Quirós.

A percepção de segurança dos dados no Brasil, indicada por executivos da TechxAct como um ponto forte do país pode ser um fator a favor, mas outras situações precisam ser equacionadas.

Talvez a mais preocupante seja a alta dos preços da energia, que tipicamente responder por 30% da conta de operar um data center.

De acodo com um estudo da Firjan, o Brasil passou a ser recentemente o país com o maior custo da energia para a indústria do mundo. 

O preço do megawatt-hora (MWh) subiu 102% em relação ao início de 2013, para R$ 534,28. Nos primeiros três meses do ano, em quanto os custos por aqui inflacionavam 48%, a média mundial era uma redução de 6%.

Nos últimos anos, o Brasil viveu um boom de investimento em data centers, mas as empresas que criaram centro de dados no país visavam atender o mercado nacional, usando como diferenciação a proximidade da força de vendas e atributos técnicos como melhor latência.

Quando o Google decidiu construir um data center de US$ 150 milhões na América do Sul, em 2012, o país escolhido foi o Chile, que, apesar dos problemas de terremotos oferecia uma conta de energia mais barata e menos impostos que o Brasil.

A TechxAct quese não tem presença por aqui. O site da companhia informa presença no Brasil (um ponto em um mapa), mas não tem o telefone do escritório brasileiro ou mesmo uma versão em português.

Provavelmente, os executivos estão fazendo uma sondagem das condições oferecidas por diferentes cidades em toda a região, de olho em incentivos. 

Os bilhões de dólares e milhares de empregos servem como uma isca para estimular uma corrida. Se no final dela haverão data centers bilionários no país, é outra história.