O prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan, e o reitor da Feevale, Cleber Prodanov. Foto: Feevale.

A Feevale, universidade sediada em Novo Hamburgo, na região metropolitana de Porto Alegre, abriu uma operação do parque tecnológico Feevale Techpark dentro da capital gaúcha.

Com um investimento de R$ 2,8 milhões, o Hub One Porto Alegre será inaugurado em março de 2020 em um prédio de sete andares com área de 1,8 mil metros quadrados, localizado no bairro Auxiliadora, uma área nobre da capital.

O dinheiro foi gasto na conversão do prédio, que passou a contar com espaços abertos, salas de reuniões, auditórios, internet de alta velocidade, cabines telefônicas e restaurante, dentro do que se espera de um espaço de coworking.

O local será dividido entre 150 posições para startups e outras empresas (74 já assinaram convênio de cooperação). Há, também, capacidade para 180 estudantes por turno em cursos de graduação, pós-graduação e in company.

O Hub estará dividido em laboratórios de seis áreas do conhecimento: Inovação Aberta; Educação; Cidades Inteligentes; Fintechs; Law e Legal Techs; e Funding e Aceleração.

A Feevale tem como parceira na empreitada a o exoHub LIA, um laboratório de inovação aberta que organiza a aproximação de grandes empresas como a Claro e o ecossistema de startups.

A operadora de telefonia, por exemplo, deve buscar dentro do Hub startups com soluções para a sua oferta destinada a cidades inteligentes. 

Outra parceira buscada pelo exoHub é Associação Brasileira de Lawtechs e Legaltechs no Brasil (AB2L), que terá uma operação no local.

Fundado neste ano, o exoHub é uma empresa relativamente recente, mas tem nomes experientes por detrás, como Maurício Halewicz, ex-CFO para América Latina da ContourGlobal, uma grande empresa americana do setor de energia, com passagens pelo board e equipe de grandes empresas do setor de energia e celulose.

André Pacheco, conhecido por ter fundado o provedor de Internet Tempo Digital no começo dos anos 2000 e Marcelo Almeida, ex-Pocket Creative Lab, também integram o time de fundadores.

O Feevale Techpark contava até agora com duas unidades: uma em Campo Bom, com 16 hectares e mais focada em operações industriais próxima de esgotar o espaço, e outra em Novo Hamburgo, com 1.600m², pensada para atender o segmento de TI e indústria criativa e aberta no ano passado. 

Na parte educacional, a Feevale tem ampliado sua atuação por meio de polos em 11 cidades em um raio de 100 km de Novo Hamburgo, e, mais recentemente outro em Dongguan, na China, uma cidade com grande presença de gaúchos trabalhando na indústria calçadista.

O Hub One Porto Alegre, no entanto, marca um começo da Feevale em voos mais altos, com uma entrada em grande estilo no cenário de inovação da capital gaúcha, até agora dominado por iniciativas da PUC-RS, UFRGS e, em menor medida, da Unisinos, outra instituição da região metropolitana que vem investindo na sua presença na cidade nos últimos anos.

A implicação do fato não passou despercebida pelo prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan (PSDB), que esteve presente na inauguração: “Porto Alegre superou velhas características gaúchas com a criação do Pacto Alegre. Não se admite que vocês fiquem de fora disso”, comentou Marchezan.

O Pacto Alegre é uma iniciativa liderada justamente por PUC-RS, UFRGS e Unisinos, até agora as principais universidades com investimentos desse gênero na cidade, visando melhorar o ambiente para atração de iniciativas inovadoras na capital gaúcha. 

A associação das três universidades em uma movimentação liderada por Josep Piqué, um especialista espanhol com bagagem em grandes projetos do tipo, é um dos assuntos do ano em Porto Alegre, uma cidade ansiosa por boas notícias. 

O reitor da Feevale, Cleber Prodanov, reconheceu em sua fala a importância do momento e o significado para a instituição de ensino superior, fundada nos anos 70, com o status de universidade desde 2010.

“Nossa intenção é ser sim mais uma colaboradora do Pacto Alegre, sem ser ‘o’ espaço, mas agregando junto com os demais. A Feevale tem um DNA diferente, uma metodologia própria que pode dar resultados também aqui”, afirmou Prodanov.

A figura do reitor é parte importante das possibilidades de crescimento da Feevale como um player relevante no ecossistema de inovação.

Nos últimos 20 anos, as universidades brasileiras vem liderando iniciativas visando o desenvolvimento da chamada tríplice hélice, como os entendidos no assunto chamam o relacionamento virtuoso entre governos, empresas e instituições de ensino com fim de promover a inovação.

Prodanov fez a sua carreira dentro da Feevale, onde entrou como professor em 1995, no embalo desse movimento. O atual reitor foi presidente do parque tecnológico da Feevale, então chamado Valetec, e depois pró-reitor de inovação. 

Durante um período, entre 2011 e 2015, Prodanov atuou também fora da Feevale, como titular da hoje extinta secretaria de Ciência, Inovação e Desenvolvimento Tecnológico do Rio Grande do Sul durante o governo Tarso Genro (PT).

O fato de Prodanov ter sido eleito reitor da Feevale, em 2018, sinalizava um compromisso maior com o posicionamento no ecossistema de inovação e uma dose de ousadia, que se concretizam em movimentos como a abertura do Hub One Porto Alegre.