Um local de descanso ou a nova fronteira da produtividade? Foto: Pixabay.

O Vale do Silício é tido como o benchmark para as empresas de tecnologia em todo o mundo, inclusive no Brasil, o que explica a proliferação de pufes, salas com videogames, lanchinhos de graça e outras iniciativas mais ou menos apreciadas pelos funcionários.

A esse tipo de coisas pode se somar em breve uma outra prática: colocar conteúdo sobre a empresa dentro das cabines dos banheiros, visando otimizar o tempo gasto pelos empregados enquanto fazem suas necessidades corporais.

O Business Insider trouxe uma matéria sobre o assunto, abordando iniciativas do gênero do Google, Facebook e Yelp.

Como em tantas outras coisas, o Google foi o pioneiro no assunto, colocando os primeiros avisos dentro dos banheiros ainda em 2006, quando foi publicada a primeira edição do Testing on the Toilet, com dicas rápidas sobre engenharia. 

Hoje também existe o Learning on the Loo, com informações sobre acontecimentos dentro da empresa, focando inclusive temas polêmicos como o tratamento de terceirizados ou escândalos recentes de assédio sexual.

O Facebook oferece aos seus funcionários o Product and Business Marketing Update, um informativo semanal com informações sobre a empresa, e também o The Weekly Push, uma divulgação sobre informações técnicas com direito a trocadilho no nome.

Já o Yelp copiou o nome da publicação do Google, com o seu próprio Learning on the Loo (uma falha de imaginação em um tema com tanto potencial), no qual publica conteúdo de autoria dos funcionários.

Das empresas mencionadas pela matéria da Business Insider, só o Yelp comentou sobre a prática introduzida em março desde ano.

“O programa é um método de comunicação efetivo para compartilhar informação e um uso melhor para o tempo passado do banheiro. O feedback é majoritariamente positivo: temos meses de conteúdo preparado”.

Na avaliação do Business Insider, a ideia de que o tempo no banheiro pode ser usado em favor da empresa é parte de uma tendência de busca por constante produtividade, aliada com a disposição para quebrar regras típica do Vale do Silício.

Mary Blair-Loy, uma professora de sociologia da UC San Diego, acha que o zelo por aproveitamento máximo do tempo e produtividade pode ter efeitos contra produtivos para as próprias empresas.

“Para trabalhar no nível mais alto de criatividade, seres humanos precisam dar alguns passos para trás e respirar durante o dia, descansar a vista olhando na distância média e receber o respeito necessário para defecar em paz”, afirma Loy.