Satya Nadella. foto: Getty Images.

O CEO da Microsoft, Satya Nadella, divulgou nesta quinta-feira, 11, um memorando para os funcionários da empresa, propondo reformulação para a companhia norte-americana, exatamente um ano depois que o CEO anterior, Steve Ballmer, fez algo semelhante. No entanto, parece que Nadella quer "mudar a mudança" proposta por Ballmer.

No documento, repassado a cerca de 3 mil funcionários, Nadella reavaliou o plano da empresa e seu core business. Um dos pontos citados é a decisão por focar mais em serviços e menos em dispositivos, uma estratégia iniciada por Ballmer com o lançamento de produtos como o tablet Surface, mas que não deu muito certo.

"Mais recentemente, nos descrevemos como uma companhia de dispositivos e serviços. Embora esta descrição foi boa para começar nossa transformação, agora precisamos nos concentrar em uma estratégia única", destacou o CEO, que passou a ocupar a cadeira de Ballmer no início deste ano.

Segundo analistas, a visão de Nadella é o oposto de Ballmer. Jogador de pôquer, Ballmer era notório por fazer grandes apostas mercadológicas e pagar para ver. Segundo Ed Bott, do ZDNet, Nadella é como um jogador de xadrez, empenhado em ver as jogadas antes mesmo delas acontecerem.

No discurso, o CEO aponta o futuro da empresa para o lado de aplicações, serviços e mobilidade, todos eles debaixo de um novo guarda-chuva. Para Nadella, a Microsoft quer se firmar como uma empresa de experiências, usando a consumerização da TI para isso.

"Nossa obsessão é reinventar produtividade e plataformas. Vamos nos focar sem descanso para criar um grande trabalho digital e experiências de vida com foco específico em multiuso", destacou Nadella.

Segundo analistas, isso é um aceno direto para a Apple, que com seus dispositivos se tornou parte da vida digital de seus usuários, levando seus aparelhos para as casas e trabalhos das pessoas, um mercado em que a Microsoft não tem sucesso desde os Windows nos PCs.

Um dos pontos de partida para essa conquista do consumidor pode ser o Xbox, sucesso de vendas da companhia. A partir da nova abordagem com o recente Xbox One, o console deixou de ser só um videogame para virar uma plataforma de home entertainment e até mesmo de casa inteligente.

Além disso, o Windows Phone, que ocupa o terceiro lugar no mercado móvel - atrás do Android e iOS - registra crescimentos seguidos a cada ano com o aumento de apps e parcerias com fabricantes como Nokia e LG, deve continuar como um dos mercados em potencial.

O Windows segue como força motriz da empresa, conforme aponta Nadella. No entanto, o consumidor pode se preparar para um Windows mais unificado e multiplataforma, somado a outros serviços como Azure, Office Skype e Xbox Music.

Para os desenvolvedores, isso também resultará em novidades, de acordo com o CEO. Vale lembrar que recentemente veio à tona o rumor de uma possível mudança do Windows de um sistema proprietário para uma plataforma gratuita, o que levaria a Microsoft em investir em aplicações e ecossistema.

Do ponto de vista organizacional da empresa, a "nova Microsoft" proposta por Nadella também terá seus impactos internos, mas o CEO desconversou detalhes sobre possíveis cortes na empresa.

O fato é que no memorando o executivo cita um processo de "achatamento" na estrutura da empresa. Se isso quer dizer cortes ou uma possível horizontalização de processos, isso não foi explicado.

"Haverá muitas oportunidades para eu falar mais sobre os nossos planos fiscais específicos no dia 22", disse Nadella em entrevista para a agência Reuters.

Desde que absorveu a divisão de celulares da Nokia neste ano, a Microsoft tem 127 mil funcionários, muito mais do que os rivais da Apple e Google. Se os cortes ocorrerem, isso representaria as primeiras grandes demissões da Microsoft desde 2009.