Luiz Mattar, CEO e fundador da Tivit. Foto: divulgação.

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A Telefónica da Espanha está negociando a compra da Tivit, multinacional brasileira de soluções digitais, em um negócio que pode chegar a R$ 3 bilhões, de acordo com informações do site NeoFeed.

Na última quinta-feira, 10, Luiz Mattar, o fundador e CEO da Tivit, que tem mais de 4% da empresa, e Paulo Freitas, o diretor financeiro, teriam participado de uma reunião com representantes da Telefónica para tratar da venda.

O interesse da Telefónica é na área de serviços da Tivit e o objetivo é integrar os ativos da companhia com os da Telefónica Tech (T-Tech), filial criada em 2019 a partir de uma reorganização dos negócios do grupo espanhol.

As negociações estariam avançadas, mas sem a garantia de que o negócio será fechado. Até agora, não foi feita nenhuma proposta firme pelo ativo.

Desde o ano passado, a Tivit está em busca de um comprador para dar saída para o Apax Partners, fundo que controla a companhia de serviços de tecnologia desde 2010, quando pagou aproximadamente US$ 1 bilhão (cerca de R$ 1,6 bilhão na época).

Para os potenciais compradores, a Tivit tem dito que o Ebtida estimado para 2021 deve ficar na casa dos R$ 300 milhões. Se for considerado um múltiplo de 10 vezes o Ebitda, o valor da empresa seria de R$ 3 bilhões (aproximadamente US$ 591 milhões, ao câmbio atual).

A Tivit está em 10 países da América Latina e mais de 20% de seu faturamento é de fora do Brasil. Em 2020, sua receita estimada era de R$ 1,5 bilhão e, neste ano, a previsão é chegar a R$ 1,7 bilhão.

A T-Tech, à qual a Tivit pode ser incorporada, surgiu na Telefónica para cuidar de negócios de serviços digitais, como computação em nuvem, cibersegurança e internet das coisas. No futuro, a expectativa é que essa filial possa abrir o seu capital.

Agora, a empresa está começando a ser estruturada na América Latina. Em novembro do ano passado, a Telefônica Brasil vendeu a CyberCo Brasil, seu braço de soluções de cibersegurança, para a T-Tech, em uma operação avaliada em R$ 116,4 milhões.

Com a Tivit, a T-Tech ganharia um faturamento bilionário e uma presença na região para que essa filial possa fazer frente a nomes como IBM, Accenture, Stefanini e BRQ, que seriam os potenciais concorrentes da companhia.

A Tivit também conta com uma área de data centers, mas a Telefónica deixou esse negócio mundialmente, vendendo seus ativos para o fundo Asterion, que criou a empresa Nabiax. 

Para o Neofeed, é provável que o grupo espanhol não fique com esses ativos, vendendo-os para outros players do mercado.

A Apax Partners comprou a Tivit em 2010 e fechou o seu capital. Desde então, tentou voltar a abrir o capital da companhia por duas vezes: em 2017 e 2019. Nas duas ocasiões, o IPO não foi adiante.

Em 2017, a meta da Tivit era captar R$ 1,4 bilhão, mas a demanda bem abaixo do piso de R$ 43 a fez desistir da oferta. Dois anos depois, a situação se repetiu e a empresa desistiu do IPO, citando as condições adversas do mercado.

A Tivit começou, então, a sondar a sua venda. Em 2019, tentou se desfazer exclusivamente do negócio de data center, mas não encontrou compradores.

Para valorizar o ativo, a companhia está tentando se vender como uma empresa digital, se comparando com a Locaweb, cujo valor de mercado é de R$ 15,2 bilhões. Atualmente, mais de 50% da receita da Tivit é da área digital e de computação em nuvem.

No ano passado, a empresa também lançou a Tivit Ventures, com a meta de investir R$ 400 milhões para comprar 10 startups de software as a service até 2025. 

O primeiro negócio foi com a Privally, especializada em gestão de segurança e privacidade com foco na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), e o segundo, com a DevApi, startup de integração de sistemas e gestão de API.

Há cerca de um ano, Luiz Mattar reassumiu a Tivit após a saída de Carlos Gazaffi, com quem dividiu o comando da empresa por dois anos.

Procurada pelo Neo Feed, a Tivit informou em nota que “não comenta rumores de mercado e que continua focada na execução de sua estratégia, que tem levado a sólido crescimento e resultados expressivos”.

A Telefônica Brasil, por meio de sua assessoria de imprensa, não quis fazer comentários para a reportagem.