Albert Fert. Foto: Baguete.

"O armazenamento de dados em discos rígidos e mídias físicas são coisas do passado". A afirmação vem de ninguém menos que o vencedor do Prêmio Nobel de Física em 2007, Albert Fert.

O físico esteve em Porto Alegre nesta quinta-feira, 11, para receber na Ufrgs o título de Doutor Honoris Causa da universidade e atendeu à imprensa, respondendo às perguntas com seu carregado sotaque francês.

Para o físico nascido em Carcassonne, sul da França, e que recebeu o prêmio por suas descobertas na teoria de Magnetorresistência Gigante (MRG), as novas tecnologias terão plataformas inteligentes, unindo processamento e armazenamento em meios unificados.

As pesquisas do MRG, desenvolvidas no final dos anos 80 pela equipe de Fert e pelo físico Peter Grünberg, abriram a possibilidade para que os discos rígidos quebrassem a barreira do gigabyte, um passo decisivo na popularização dos computadores.

Mas para Fert, os tempos são outros. Mesmo com o advento de tecnologias mais práticas que o disco rígido, como a memória flash, o cientista acredita que meios como a nuvem se apresentam como o fututo dos computadores e o armazenamento de dados.

“O pendrive irá desaparecer em breve e imagino que todo o resto também. Em cinco anos, as pessoas dependerão menos dessas coisas e encontrarão outras formas para salvar suas informações", diz Fert.

BIG DATA

No entanto, para toda a carga de dados da nuvem - o chamado Big Data - ainda é preciso um meio físico de armazenamento. Questionado sobre isso, Fert destaca que o desafio do storage não é mais de capacidade.

"Para o futuro, a questão é desenvolver alternativas que somem armazenamento, processamento e, principalmente, economia energética. Ainda é possível obter muita economia, redduzindo o consumo em até 40%", afirma o pesquisador.

Para o francês, a indústria já registrou avançou nesta área, com tecnologias de memória não volátil (SDRAM) e drives de memória em estado sólido (SSD), para aumentar a rapidez no acesso aos dados.

Um exemplo do uso destas novas tecnologias no ambiente de TI é o HANA, da SAP.

"Não sou familiar com este produto específico, mas esta hibridização de processamento e armazenamento em plataformas unificadas é um caminho interessante", avalia.

Fert também deu seu comentário sobre um possível revival da fita magnética - a famosa fita cassete - como alternativa para abrigar grandes quantidades de dados.

Pesquisadores da IBM e Fujifilm divulgaram no início do ano testes com fitas de apenas 10 x 10 (e tem 2 cm de espessura), com capacidade de armazenar até 35 TB por cartucho.

Voltado a servidores, que recebem uma alta quantidade de dados diariamente, o projeto está sendo desenvolvido para substituir os discos rígidos.

"Realmente, as fitas cassete possuem uma grande durabilidade e são confiáveis, porque os dados armazenados não flutuam. Mas para otimizar a leitura destes dados, são necessárias tecnologias auxiliares, como leitores de alta velocidade", afirma.

PESQUISAS

Com seus 75 anos, o professor da Université de Paris-Sud (Orsay), é um assíduo palestrante e visitador de universidades, participante de projetos de incentivo à pesquisa da física.

Em um recado aos pesquisador Fert acredita que o boom tecnológico brasileiro pode render um maior reconhecimento para a pesquisa local, e quem sabe, um Nobel da física.

"Física não é uma especialidade dos Estados Unidos ou da França. A ciência é de todos, e onde se incentiva a ciência podem aparecer grandes descobertas", afirma.