André Figueiredo.

A Perto, fabricante gaúcha de caixas eletrônicos, lançará até o final do primeiro semestre um produto auto-atendimento para compra de mercadorias em estabelecimentos comerciais.

O chamado self check é um equipamento pelo qual os clientes de um supermercado, por exemplo, podem registrar o preço dos produtos adquiridos e fazerem o pagamento eles mesmos.

A meta da companhia é vender 100 terminais até o final de 2015, o que é uma meta significativa tendo em conta que esse tipo de tecnologia ainda engatinha no mercado brasileiro.

Não existem dados oficiais sobre a penetração desse tipo de caixa. Uma das primeiras redes a adotar a abordagem foi a Muffato, que colocou quatro “autocaixas” em Londrina ainda em 2012. A rede Supermercados BH também instalou quatro unidades na capital mineira no ano passado. 

A tecnologia para fazer os clientes serem os caixas das suas próprias compras já está disponível faz tempo. O Pão de Açúcar já testou um piloto que não foi para frente em 2003.

O que está acontecendo nos últimos anos no Brasil é pouco frente ao que está acontecendo lá fora. Ainda em 2013, só o Walmart comprou 10 mil máquinas do tipo da NCR, a serem instaladas em 1,2 mil lojas nos Estados Unidos.

O que pode fazer com que a tendência decole dessa vez é o perfil do consumidor, acredita André Figueiredo, diretor comercial da Perto.

“Acredito que os novos consumidores da geração Y são bem mais receptivos a fazerem o check out das próprias compras. Eles já cresceram com autoatendimento em outras áreas”, analisa Figueiredo.

Uma estimativa da consultoria inglesa Retail Banking Research aponta que o número de terminais de self checkout em nívem mundial deve mais que triplicar nos próximos anos, saindo de 27 mil em 2012 para mais de 60 mil em 2018.

Ajuda na adoção do self checkout o fato que a maioria das redes  usuárias coloca nessas máquinas as filas para clientes com poucos produtos (é uma forma de reduzir o prejuízo por roubos), o que parece ser um apelo para millenials impacientes.

O consumidor está pronto. E o varejo desesperado por alguma maneira de cortar custos. As vendas do setor supermercadista em janeiro, em valores reais (deflacionadas pelo IPCA/IBGE), apresentaram queda de 19,64%, na comparação com dezembro de 2015.

Para a Perto, a entrada no mercado de self check outs é mais uma iniciativa visando diversificar a origem das receitas da companhia, que é conhecida como uma fabricante de terminais de autoatendimento, um mercado que está em declínio no país.

Dados da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) mostram que houve uma queda de 4% no número de caixas eletrônicos no Brasil em 2014, quando o país tinha 159 mil equipamentos em funcionamento. 

Segundo a entidade, o desempenho tem relação com o contrato assinado entre bancos e a Tecban para substituir máquinas próprias por equipamentos multibandeiras em ambientes de grande circulação de pessoas, como shopping centers. 

Reagindo a isso, a alemã Wincor Nixdorf irá transferir sua produção local de caixas eletrônicos para a gaúcha Perto em agosto do ano passado.

A Perto está no mercado há mais de 25 anos e possui uma fábrica com mais de  44 mil metros quadrados em Gravataí, na grande Porto Alegre, que foi renovada no final de 2014 para ampliar capacidade e acrescentar novos produtos ao portfólio.

A empresa conta com cerca de 1,7 mil colaboradores e escritórios de vendas em São Paulo e Brasília.

Hoje, cerca de 40% da receita da Perto já vem de serviços de outsourcing e pós-venda da sua base de caixas instalados. Outra frente de crescimento são equipamentos como terminais de POS, máquinas de estacionamento e agora terminais de self check out.