A mudança no cálculo do PIB brasileiro pode aumentar os resultados da economia. Foto: ronstik/Shutterstock.

A mudança no cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro pode aumentar os resultados registrados pela economia brasileira nos últimos anos.

O IBGE explica que a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), conta dos investimentos no PIB, deve sofrer expansão com a soma dos aportes em pesquisa e desenvolvimento, exploração e avaliação de recursos minerais e softwares.

Na metodologia atual, essas atividades são contabilizadas como despesas.

“Isso aumenta o PIB. O que antes eram apenas gastos passam a ser considerados como investimentos, como, por exemplo, a prospecção mineral”, afirma o diretor de Pesquisas do IBGE, Roberto Olinto.

Como resultado de gastos menores e investimentos maiores nos últimos anos, o país pode escapar do resultado negativo em 2014 previsto pelos economistas mais pessimistas, explica o Estadão.

De acordo com o último Boletim Focus a expectativa média do mercado financeiro é que o PIB brasileiro tenha ficado estagnado no ano passado (0,01%)

“Aumenta a probabilidade que o PIB de 2014 venha positivo”, avaliou Eduardo Velho, economista-chefe da corretora INVX Global Partners.

A LCA Consultores estima que, após as revisões, o crescimento econômico médio do período de 2011 a 2014 passará dos atuais 1,6% ao ano (considerando os dados até o terceiro trimestre do ano passado) para em torno de 2,5% ao ano. Nas projeções da consultoria, o PIB de 2014 deveria ficar estagnado. Com as revisões, pode subir um pouco, mas nada além de 0,5%.

“Nos outros países que adotaram a nova metodologia, houve revisão da taxa de crescimento para cima”, disse o economista-chefe da LCA, Bráulio Borges.

O economista Claudio Considera, que chefiou a Coordenação de Contas Nacionais do IBGE durante a implantação do Sistema de Contas Nacionais na década de 1980, no entanto, duvida de taxas de crescimento maiores e crê que o principal efeito será sobre o tamanho da economia, não tanto sobre as variações ano a ano. 

“Vamos descobrir que o PIB é um pouco maior do que se imaginava. O valor absoluto do PIB deve crescer e vai crescer em todos os anos”, disse Considera ao Estadão.

O IBGE já havia informado, há três anos, que faria a atualização no cálculo do PIB.