Mailson da Nóbrega. Foto: Baguete.

No curto prazo, o Brasil deve manter o ritmo de crescimento econômico dos pibinhos, na faixa dos 2%, sem no entanto ingressar em um cenário mais caótico de crise cambial, fiscal e finalmente institucional que marcaram seu passado.

A análise é do ex-ministro da Fazenda durante o governo José Sarney, Maílson da Nóbrega, que palestrou nesta terça-feira, 11, no SAP Fórum, evento da multinacional em São Paulo.

"O Brasil não anda nem desanda", resumiu Maílson, que atribuiu a dificuldade do governo em promover um crescimento mais acelerado ao fracasso da chamada "Nova Matriz Econômica"

Para Maílson, o abandono por parte do governo Dilma Rousseff da hetorodoxia econômica herdada da administração Fernando Henrique Cardoso levou o país ao atoleiro atual.

"Parte da área econômica do PT e do empresariado acreditaram que era possível manter o câmbio alto e o juro baixo artificialmente e gerar crescimento", analisou o economista, hoje à frente da consultoria Tendências.

A fórmula, somada à convicção de que seria possível manter a fórmula de crescimento por meio do estímulo ao consumo da classes emergentes, deveria estimular maior investimento das empresas, mas não estimulou, na avaliação do ex-Ministro da Fazenda.

"Não deu certo porque o governo Dilma é hostil ao mercado privado", resumiu Maílson, citando como exemplo as intervenções nas regras do setor elétrico, o controle de preços na Petrobras e a introdução de "contabilidade criativa" nas contas.

Para quem gosta de ver o lado cheio do copo, Maílson também deu sua visão sobre porque a coisa não deve desandar, essencialmente controles externos ao "populismo e a incompetência" nos moldes da Argentina e Venezuela.

"No Brasil quem deixa a inflação subir perde voto. É por puro pragmatismo político que a Dilma está subindo os juros para deter a alta dos preços", resumiu Maílson.