Uma venda da Oi para a TIM, ou uma fusão entre as duas, começa a ser mencionada. Foto: oknoart/Shutterstock.com

As turbulências administrativas da Oi, demonstradas esta semana pela saída do presidente Zeinal Bava, acenderam a luz amarela na Anatel, sinalizando um possível futuro de redução de quatro para três no cenário da telefonia nacional.

Segundo a Reuters, a frágil situação financeira da Oi, as dificuldades na fusão com a Portugal Telecom e a perda recente de Bava, frente ao movimento agressivo de outras operadoras para se consolidarem no mercado, podem indicar esta direção.

Conforme fontes ouvidas pela agência de notícias, uma venda da Oi para a TIM, ou mesmo uma fusão entre as duas, começa a ser mencionada entre integrantes do governo federal.

Para eles, esta seria a saída para as duas operadoras, menores em poder de investimento frente às gigantes Vivo (da espanhola Telefónica) e Claro (do grupo mexicano América Móvil) para ter o dinheiro e recursos necessários para manter a competitividade.

Nascida a partir da Brasil Telecom durante o governo Lula, a Oi foi uma das chamadas "campeãs nacionais". O objetivo era criar empresas fortes o suficiente para competir com gigantes internacionais.

Entretanto, a situação ficou ruim para a empresa durante a sua fusão com a Portugal Telecom, que sofreu um calote de cerca de € 900 milhões de um investimento feito na Rioforte, holding do grupo Espírito Santo. O baque financeiro azedou as relações entre os sócios de cada lado do Atlântico.

Para se recuperar e colocar o caixa em dia, a Oi avalia a venda de ativos da PT em Portugal e a participação da operadora européia em telecoms na África, o que poderia render cerca de US$ 10 bilhões à empresa, segundo avaliação de bancos.

Segundo fontes, os sócios brasileiros da Oi, Andrade Gutiérrez e La Fonte, estão mais engajados no dia a dia da companhia, acompanhando as negociações para vender ativos que já não são tidos como principais.

"Eles estão mais agressivos, porque a pressão do cenário concorrencial é muito grande", disse uma das fontes. Entretanto, para especialistas, nenhuma movimentação deve ser precipitada e feita antes do ano que vem, quando inicia um novo mandato presidencial.

Mesmo assim, o cenário é crítico para a operadora, que tem uma dívida líquida de R$ 46 bilhões, por custos relacionados aos seus negócios de telefonia fixa e por rivais fortalecidos em banda larga fixa, TV paga e telefonia móvel.

Mesmo no vermelhor, a Oi pediu ao BTG Pactual para avaliar a aquisição da TIM, uma aquisição ainda na mira caso a empresa consiga vender seus ativos.

Falando dois dias depois de assumir como presidente interino da Oi, Bayard Gontijo afirmou nesta quinta-feira que a Oi é "protagonista no processo de consolidação do mercado brasileiro", mas não comentou em que sentido se dá o protagonismo da empresa, se como compradora ou como alvo de aquisição.

Entretanto, tanto para a TIM, que tem sua maior competitividade no mercado de telefonia móvel, quanto para a Oi, que tem maior base em telefonia fixa, uma união não parece uma alternativa tão distante. A questão é de como ou se isso realmente vai acontecer.

De acordo com Luigi Minerva, a Anatel não é completamente avessa à ideia de ter três concorrentes no mercado. Em outros mercados latino-americanos, como Argentina e Chile, três operadoras formam o cenário principal.

"O principal objetivo seria garantir que os três grupos resultantes sejam fortes, com capacidade de investimento e competitividade", destacou.