Ana Amélia Lemos falou com representantes do setor de TI.

A senadora Ana Amélia Lemos (PP), candidata apontada pelas pesquisas eleitorais para o governo do Rio Grande do Sul se disse favorável a parcerias públicos privadas para abrir vagas no ensino médio gaúcho, durante reunião com representantes do setor de TI nesta quarta-feira, 10.

“Não tenho preconceitos contra contra relações público privadas nessa área”, disse Ana Amélia. “é muito pior deixar um jovem fora do ensino porque o estado não fez o investimento em construir escolas”, completou a candidata.

Um programa do tipo poderia responder ao anseio do setor de TI do estado por mais formação de estudantes em cursos técnicos, com o governo subsidiando as matrículas de jovens em instituições privadas que atuam na área.

Entidades da área já fizeram tentativas de incluir programação entre as opções disponíveis para os alunos do ensino público, com resultados diversos. Em Porto Alegre, a iniciativa não foi adiante, tendo mais sucesso em Novo Hamburgo.

A reportagem do Baguete não encontrou nenhum exemplo do tipo de iniciativa previsto pela candidata no Brasil em nível de ensino médio. 

Nos Estados Unidos, esse tipo de programa é apontado por muitos como uma solução para os problemas de qualidade do ensino público. 

Hoje, 245 mil estudantes participam dos chamados “voucher programs”, através dos quais 16 estados transferem diretamente para os pais dos alunos recursos na casa do US$ 1 bilhão anual.

(O setor de TI americano, por sinal, é entusiasta do modelo. Steve Jobs chegou a dizer que toda a educação pública deveria adotar os vouchers. O Facebook bancou US$ 100 milhões em um projeto do tipo em 2010 em Newark, uma cidade empobrecida na costa leste do país).

Os resultados, no entanto, são controversos, com críticos apontando que as escolas privadas beneficiadas pelos vouchers podem recusar “alunos problemas”, que acabam então relegados a escolas públicas com níveis cada vez piores de ensino.

De qualquer maneira, programas similares a nível federal como o Prouni são apontados como um case de sucesso no Brasil, com mais de 1,4 bilhão de beneficiados nos últimos 10 anos. 

Em Porto Alegre existe uma iniciativa municipal para ensino universitário, o chamado InovaPoa, por meio do qual a prefeitura troca isenções tributárias por bolsas de estudo, metade delas necessariamente para a áreas tecnológicas. 

Hoje existem 780 bolsistas na cidade beneficiados pela medida, proposta em 2009 pelo então vereador Newton Braga Rosa (PP) e conduzida hoje pela InovaPoa, agência de promoção de investimentos em tecnologia comandada por Deborah Villela (PP).

Braga Rosa e Deborah estiveram entre os participantes do prestigiado encontro, que reuniu cerca de 40 pessoas no apartamento de Deborah no Bela Vista, em Porto Alegre. 

Além de representantes de todas as entidades de TI agregadas no CETI, também estiveram presentes o reitor da PUC-RS, Joaquim Clotet, e nomes de peso do PP na capital gaúcha, incluindo os vereadores Mônica Leal, Kevin Krieger e Guilherme Villela (Villela é pai de Deborah), o diretor do Departamento de Esgotos Pluviais da capital, Tarso Boelter e Luiz Carlos Mandelli, diretor-presidente da DHB.

O prestígio tem seus motivos. Segundo as últimas pesquisas, Ana Amélia lidera as preferências de voto com 36% contra 26% do governador Tarso Genro, vencendo as simulações de um segundo turno com 48% contra 33% de Tarso. 

A coligação Esperança que Une o Rio Grande é encabeçada pelo PP, junto com o PSDB, um partido pouco expressivo no Rio Grande do Sul e os nanicos PRB e SD, o que leva a creer que uma fatia expressiva dos cargos de primeiro escalão ficará com o PP.