Apollo foi a estrela do dia.

A HP anunciou com alarde no HP Discovery 2014, seu evento mundial, a entrada da empresa no mercado de supercomputação, com a meta de levar o conceito de superprocessamento do nicho acadêmico onde se encontra hoje para o mundo empresarial. 

"Não somos renomados na parte de supercomputação, mas esta é nossa primeira incursão neste segmento, e estamos chegando com tudo", garante Jim Ganthier, líder global de marketing de servidores da HP, ao falar do lançamento da nova família de servidores da companhia, Apollo.

O modelo mais badalado foi o Apollo 8000, sistema 100% refrigerado a líquido com uma nova tecnologia patenteada pela empresa. 

Conforme destaca a HP, ao usar uma estrutura que separa a parte dos dados e onde o calor é concentrado, o sistema elimina o uso de ar e garante a integridade do sistema.

Além disso, o novo desenho permite uma estrutura escalável para até 250 racks, cerca de quatro vezes mais que aos sistemas refrigerados a ar.

"Criamos este novo produto para trazer eficiência e mover a TI do futuro, com supercomputação em empresas de todos os tamanhos", destacou Antonio Neri, vice-presidente e gerente de servidores HP.

A expectativa da multinacional é que a tecnologia de resfriamento será o diferencial para atrair empresas a apostar em sistemas de supercomputação para sua infraestrutura ao tirar de cena os antes proibitivos custos de energia que estas máquinas ocasionam.

Desenvolvido em parceria com o National Renewable Energy Laboratory, centro de pesquisa ligado ao Departamento de Energia do governo americano e um dos clientes beta do produto, o 8000 é otimizado para a reutilização da água ou o calor gerado nas máquinas.

"Com o Apollo 8000, estimamos uma economia de cerca de US$ 1 milhão por ano em nossas instalações", afirma Steve Hammond, diretor do NREL.

À parte do Apollo 8000, a HP também lançou na ocasião outro produto da mesma família, o Apollo 6000, refrigerado a ar, mas com propostas semelhantes, com a proposta de entregar até 35% mais performance em menos espaço, usando até 46% menos energia.

A empresa não entrou em detalhes sobre preços, afirmando que os valores são sob medida para cada companhia e projeto.  No mercado internacional, os sistemas Apollo estarão disponíveis a partir de 10 de junho. Ainda não há uma data definida para o Brasil.

Com o Apollo, a HP quer chegar de forma agressiva para incomodar a IBM no topo do mercado de supercomputadores.

Segundo o ranking Top 500 Supercomputer Sites, IBM tem cinco dos dez maiores instalações de supercomputadores, seguida da Cray com duas, Fujitsu, Dell e o National University of Defense Technology, cada um deles com uma.

Recentemente, a Big Blue anunciou a intensificação do projeto Watson, sua tecnologia de superprocessamento, investindo cerca de US$ 1 bilhão para transformar seu supercomputador Watson em uma nova unidade de negócio da companhia. Executivos da IBM inclusive disseram à imprensa brasileira que a novidade chega por aqui esse ano.

*  Leandro Souza cobre o HP Discovery 2014 em Las Vegas a convite da HP.