O que vem por aí com a eleição de Trump? Foto: Divulgação.

Donald Trump foi eleito o novo presidente dos Estados Unidos, em uma vitória que desafiou pesquisas e previsões de analistas.

Após a revelação dos votos, os mercados de ações apresentaram uma reação negativa, resultando na queda do dólar.

De acordo com o TechCrunch, economistas que conhecem a plataforma de Trump também preveem impactos negativos da eleição do empresário para o mercado de tecnologia.

“Embora Trump tenha sido vago sobre seu projeto na campanha, os indícios relatados sobre sua política econômica não são um bom presságio para os fundos de venture capital e para a comunidade tecnológica em geral”, afirma a publicação americana.

Um dos principais riscos é o plano do presidente eleito de impor tarifas acentuadas sobre os bens fabricados na China, visando promover a volta da manufatura de produtos para os Estados Unidos.  

A medida afetaria os custos de equipamentos e peças utilizadas por grande parte das empresas americanas, refletindo em aumento de custos no mercado interno e nos produtos para exportação em outras partes do mundo.

Para os profissionais do Brasil, um dos pontos mais significativos promete ser a imigração, uma vez que limitar a entrada de estrangeiros no país foi uma das grandes bandeiras de Trump. 

O mercado de TI americano deve enfrentar dificuldades maiores na contratação de estrangeiros, visto que Trump já afirmou que pretende encerrar o programa de vistos H-1B.

Um dos pontos centrais do esforço de lobby de empresas de tecnologia, o H-1B permite que profissionais de outros países permaneçam nos Estados Unidos e trilhem um caminho até o green card enquanto suprem a demanda do Vale do Silício por mão de obra especializada.

Pode ir para a lixeira também a proposta de novas regras para imigração de empreendedores estrangeiros relacionados a startups dos Estados Unidos apresentada em setembro.

O “startup visa”, que está em avaliação, é focado em empreendedores com uma participação de pelo menos 15% em uma empresa novata americana que demonstra potencial de crescimento.

Já a Amazon tem uma ameaça mais direta para se preocupar. Trump acusa o fundador da empresa, Jeff Bezos, de se aproveitar de alguma maneira da propriedade do jornal Washington Post para manter os impostos baixos para a Amazon. Em fevereiro, Trump afirmou que a companhia teria problemas se ele se tornasse presidente.

Apesar dessa perspectiva, também há notícias boas para o Vale do Silício. Para o TechCrunch, a falta de supervisão regulamentar esperada no governo Trump deve ter impactos positivos.

O provável encerramento do Consumer Finance Protection Board, criado por Barack Obama, deve facilitar a operação das fintechs.

Também podem ser vistos como vantagem os ganhos para as empresas por meio de cortes de impostos corporativos e de acordos sobre a repatriação de ativos estrangeiros.

Apesar do apoio majoritário do setor de tecnologia americano a Hillary Clinton (Tim Cook, CEO da Apple, chegou a organizar um jantar de arrecadação de fundos para a candidata), Trump não está sozinho nesse segmento.

Peter Thiel, co-fundador do PayPay e fundador da startup Palantir, doou US$ 1,25 milhão para a campanha do presidente eleito.

"A agenda de Trump é fazer dos Estados Unidos um país normal. Um país normal não tem um déficit comercial de meio trilhão de dólares. Um país normal não luta cinco guerras simultâneas e não declaradas. Em um país normal, o governo realmente faz seu trabalho", declarou Thiel.

O TechCrunch, depois de apontar as tendências do novo governo para a TI, reforçou que a falta de histórico de Trump na política e sua volatilidade apontam mesmo para um futuro imprevisível.

Essa incerteza parece ser uma preocupação de muitos americanos, pois o site do departamento de imigração canadense chegou a sair do ar durante a apuração, quando os números passaram a indicar uma provável vitória de Trump.