Para Gates, Wi-Fi não é uma solução para pobreza. Foto: flickr.com/photos/lseinpictures.

Bill Gates apoia a inclusão digital, uma das bandeiras levantadas pela toda poderosa Google, mas para o ex-CEO da Microsoft e atual filantropista, fornecer Wi-Fi não vai saciar a fome, nem curar a doença de ninguém.

Em entrevista a Bloomberg Businessweek, Gates fez menção à iniciativa do Google para fornecer internet sem fio em regiões subdesenvolvidas, como na África, usando roteadores em balões estacionados, não poupando as críticas.

"Quando se está morrendo de malária, acredito que vão olhar para o céu e ver aquele balão, mas não sei como aquilo vai ajudar. Quando uma criança sofre de diarréia, não tem site que possa aliviar isso", disparou.

Gates citou o caso de quando o Google contratou Larry Brilliant, consagrado médico e epidemiologista, para conduzir o Google.org, braço filantrópico da empresa, até ele ser desativado em 2009.

Mesmo assim, Gates acredita em atitudes como conectar centros de atendimento médica e escolas para melhorar o atendimento, mas em regiões de pobreza extrema, são atitudes mais diretas as que surtem mais efeito.

"Sou um grande entusiasta da revolução digital. Mas estas iniciativas não são para países com rendas realmente baixas, a não ser que digam a eles que farão algo efetivo para curar a malária", afirma.

Bill Gates se dedica à filantropia desde 2000 através da Bill & Melinda Foundation, empresa criada ao lado de sua esposa Melinda Gates. Em 2007, Gates abandonou seu cargo na Microsoft para trabalhar full-time na fundação.

Segundo dados levantados em 2007, a Bill & Melinda foi listada como a segunda maior organização filantropista dos Estados Unidos, investindo mais de US$28 bilhões m projetos sociais.

Em entrevistas, Bill anunciou que pretende doar até o final de sua vida, cerca de 95% de sua fortuna - avaliada em US$ 73 bilhões - para obras de caridade.