LEILÃO

Huawei: “segurança é uma questão técnica, não política”

08/10/2021 01:13

Diretor de segurança da chinesa e membros do governo falaram sobre a polêmica do 5G.

Marcelo Motta, diretor de soluções e segurança cibernética da Huawei para a América Latina. Foto: divulgação.

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Em uma rara declaração da Huawei sobre as polêmicas em relação ao uso dos seus equipamentos na implantação do 5G, Marcelo Motta, diretor de soluções e segurança cibernética da companhia para a América Latina, afirmou que “segurança é uma questão técnica, não política, como tem se trabalhado para colocar”.

A frase foi dita em resposta ao Baguete durante o Fórum Nacional de Cibersegurança, promovido pela empresa nesta quinta-feira, 7, no Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel), localizado em Minas Gerais.

“Essas acusações políticas nos acompanham de longa data. Em função delas, a gente acha extremamente natural que os questionamentos aconteçam, como aconteceram aqui dentro do país”, afirmou Motta. 

Segundo o executivo, o que tem sido feito para rebater as acusações de que a chinesa não seria segura, é mostrar de forma técnica, o mais transparente possível, resultados de testes, processos de governança e toda a certificação dos seus produtos.

“A gente tem uma história aqui no país, trabalhando junto com os nossos clientes locais para construir toda a infraestrutura de banda larga fixa e móvel existente. Temos um histórico de grande cooperação com as instituições locais e com o próprio governo”, explicou o diretor da Huawei.

Motta também afirmou que está sempre aberto a ouvir qualquer nova dúvida que possa acontecer, respondê-la e colocar os equipamentos à total disposição para que eles possam ser avaliados pelos técnicos locais. 

“A questão de segurança cibernética é um desafio de todos, portanto a gente imagina que o tratamento deva ser feito de forma igualitária para todos os players do mercado, de forma que seja feita uma análise objetiva, técnica e factual”, destacou o executivo sobre a implantação do 5G no Brasil. 

Sun Baocheng, CEO da Huawei no país, também deu destaque ao assunto durante o seu discurso de abertura do evento.

“O equívoco de que o país de origem afeta a segurança dos equipamentos e a tecnologia não é verdadeiro. Governos, órgãos de regularização e provedores de tecnologia precisam trabalhar em conjunto para desenvolver uma compreensão unificada dos desafios de segurança cibernética”, enfatizou Sun.

Paulo Alvim, Secretário de Empreendedorismo e Inovação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), que foi um dos convidados do fórum, também falou sobre o assunto, mantendo a linha técnica e neutra do ministro Marcos Pontes

“Do ponto de vista do MCTI, nós não temos nenhum questionamento técnico a respeito da atuação da Huawei. Ela vem cumprindo todas as suas obrigações e colocando no mercado algumas coisas que o setor empresarial é que tem que responder a conveniência ou não”, afirmou.

O secretário destacou, ainda, o longo período que a chinesa está instalada no Brasil.

“Talvez por uma questão de comunicação as pessoas não sabem que a Huawei está no brasil há 23 anos e que ela tem uma responsabilidade e uma contribuição na área de telecomunicações bem significativa”, ressaltou Alvim.

Segundo ele, a relação do ministério com a companhia é “extremamente favorável” do ponto de vista de educação, ciência, tecnologia e inovação. 

“Com a oportunidade da incorporação da economia 5G, nós vamos ter uma janela de oportunidades para fornecedores. Aí é uma decisão de país, se nós queremos ser compradores ou players do jogo”, salientou o secretário.

Já Leonardo Euler, presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), afirmou que o princípio regente da atuação da agência é o zero trust e isso vale para todos os fornecedores. 

“Esse é o princípio que rege as melhores práticas de segurança cibernética. O que a Anatel tem feito é ter a compreensão de que esse processo é permanente para todas as hipóteses, todos os fornecedores e todos os equipamentos”, destacou Euler.

Sobre o leilão do 5G, que deve acontecer ainda este ano, o executivo ressaltou que o processo “jamais seria um local para fixar regras de segurança cibernética”.

De acordo com Euler, o edital vincula apenas as partes e os objetos, enquanto a segurança cibernética vai muito além das faixas de radiofrequência que estão sendo objeto de licitação.

O histórico de polêmicas

Ainda em junho do ano passado, o presidente Jair Bolsonaro sinalizou que poderia deixar a Huawei de fora da infraestrutura do 5G brasileiro durante uma das suas lives no Facebook.

Na transmissão, Bolsonaro disse que o certame levará em conta a “soberania, a segurança de dados e a política externa”.

O brasileiro estava alinhado ao então presidente americano, Donald Trump, o maior defensor do banimento da Huawei dos leilões de 5G mundo afora.

A linha de Trump era pressionar países aliados para não comprar tecnologia da Huawei para o 5G, afirmando que o governo chinês pode usar o equipamento para fazer espionagem. 

Poucos países mostraram muito entusiasmo pela proposta, que no final das contas favorece fabricantes americanos como a Cisco. 

Uma das exceções era Bolsonaro, o fã número 1 de Trump, sob a influência ainda do ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e do ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, general Augusto Heleno.

Na época, a Huawei divulgou uma carta pública bastante morna, destacando sua presença no Brasil. O maior lobby em prol da fabricante chinesa vinha das operadoras de telecomunicações atuantes no país, que querem comprar equipamentos mais baratos para o 5G.

No dia 13 de janeiro, os presidentes das cinco maiores operadoras falaram sobre o tema com o ministro das Comunicações em uma videoconferência. 

O cenário mudou muito desde então, com a não-reeleição de Trump, a dependência da China em relação às vacinas e à economia, além da disposição da Huawei de investir mais pesado na própria defesa.

A companhia chamou para o seu lado nomes com o peso de Michel Temer, que em janeiro foi contratado para preparar um parecer jurídico sobre o assunto.

No mês seguinte, a Huawei contratou a cantora Ivete Sangalo para ser a estrela da sua primeira campanha publicitária no Brasil, consolidando a sua ofensiva de relações públicas no país.

O evento desta quinta-feira, ainda mais com a presença de autoridades do governo, pode ser entendido como mais um passo da empresa para reforçar a sua imagem como uma fornecedora segura para a implantação do 5G no país.

*Luana Rosales foi ao Fórum Nacional de Cibersegurança, em Santa Rita do Sapucaí (MG), a convite da Huawei.

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