Zeinal Bava está fora. Foto: divulgação.

Zeinal Bava, executivo português que assumiu a presidência da Oi no ano passado, anunciou na noite desta terça-feira, 07, a sua renúncia ao cargo de liderança na operadora nacional.

Segundo informações da Reuters, a saída de Bava aumenta a turbulência e especulações sobre a companhia, em meio a um conturbado processo de fusão com a portuguesa Portugal Telecom, empresa que Bava presidia anteriormente.

De acordo com a Oi, a cadeira de Bava será ocupada temporariamente pelo atual diretor de Finanças e de Relações com Investidores, Bayard Gontijo. Ele ficará no cargo até que o Conselho de Administração indique outro executivo para o posto.

Ao chegar na empresa, em junho de 2013, Bava encabeçou uma estratégia de recuperação da empresa, última colocada em share entre as quatro principais operadoras de telefonia no país.

A estratégia consistia na fusão da Oi com a PT, negócio considerado essencial para melhorar a posição financeira da operadora brasileira e aumentar o poder de fogo frente à concorrência.

O que a operadora não esperava foi um calote de quase € 1 bilhão da Rioforte, holding do Grupo Espírito Santo, principal sócio da Portugal Telecom. O baque financeiro, revelado em julho, se tornou um risco para a fusão.

Para garantir a fusão, a Portugal Telecom teve que reduzir sua fatia na CorpCo, empresa a ser criada após a conclusão do processo de união. Segundo especialistas de mercado, desde então as relações entre os controladores das duas empresas se complicaram.

"Bava era uma força muito grande nessa fusão. O ponto agora é saber quem vai entrar no lugar, se é algum executivo da Portugal Telecom. (Caso contrário), pode ser uma pista de que essa fusão está desandando", disse Ari Lopes, analista para América Latina da consultoria de telecomunicações Ovum.

Além disso, para o analista, a saída de Bava é mais um sinal das instabilidades na cadeira da presidência da Oi. Já é o terceiro nome a abandonar o cargo em três anos, depois de Francisco Valim e Luiz Eduardo Falco.

Além disso, a operadora, com uma dívida de R$ 46 bilhões ao fim do primeiro semestre, afirmou esta semana que poderá vender ativos não estratégicos e participações em empresas controladas.

A empresa não comentou a possível venda de ativos da Portugal Telecom, o que significaria o cancelamento da fusão entre as duas companhias.

Para completar, fontes de mercado comentam uma possível fusão entre TIM Participações e Oi no Brasil. As conversas ocorrem depois de a Oi ter contratado o BTG Pactual em setembro para analisar uma possível oferta conjunta com a América Móvil pela TIM.