Sérgio Chaia.

Sérgio Chaia, ex-presidente da Nextel que assumiu a subsidiária brasileira da Symantec em março deste ano, está na última fase de um plano de mudanças na estratégia da empresa no país focada na meta de crescer o dobro da média de mercado ainda em 2014.

Com o gosto pelo segredo característico das multinacionais, a Symantec não revela qual é o seu tamanho no Brasil, nem muito menos qual é o seu benchmark de média para o mercado. 

A previsão do IDC é que o mercado brasileiro cresça 9,2% este ano e o Gartner fala em um aumento mundial de gastos com segurança da informação de 7,9%. 

Se o índice da Symantec for um desses, estamos falando em uma meta entre 15,9% e 18,4%, o que parece ousado para um ano complicado, por Copa e Eleições em uma economia em desaceleração e dentro de uma empresa em reestruturação como a Symantec.

“Queremos conversar com as necessidades de negócio do cliente, mostrar que a Symantec é mais que uma provedora de produtos de segurança”, afirma Chaia, que, em conversa exclusiva com o Baguete, destacou que a  a meta já foi cumprida no último trimestre da empresa.

A estratégia de Chaia para promover a mudança de imagem foi trazer profissionais de fora do mercado de segurança, vindos de empresas de tecnologia maiores e mais diversificadas que a Symantec, onde essa abordagem já está consolidada.

Além das mudanças nas contratações da alta gestão (antes da vinda de Chaia, o country manager brasileiro sempre tinha sido um funcionário de carreira) a Symantec mexeu a fundo no time de vendas como um todo, renovando 60% da equipe com 30 profissionais oriundos de companhias como IBM, EMC, Dell e Telefônica.

Eles são liderados por um time novo, com Lucia Bulhões, ex-Dell, à frente do comercial, e Alejandro Raposo, outro ex-Nextel, à frente do Brasil com Chaia no cargo de vice presidente e diretor geral da Symantec Brasil e América Latina.

Entre os grandes clientes, a estratégia é dar a conhecer mais do portfólio da Symantec em áreas como disponibilidade de informações e prevenção de perda de dados. 

Neste último segmento, por exemplo, o Gartner projeta crescimento de 18,9%, um pouco mais que o dobro da média do mercado de segurança

Para o mercado como um todo, a Symantec está trabalhando na melhoria das relações com os seus canais (fontes ouvidas pelo Baguete dizem que o relacionamento não era lá dos melhores) de maneira atingir uma base maior de consumidores. 

Chaia não revela a porcentagem das vendas por meio de canais no Brasil, uma informação que costuma ser divulgada mesmo pelas multinacionais mais ciosas do seus números, o que provavelmente é um indício de que elas não são lá muito expressivas.

De qualquer forma, o executivo espera que Raposo, com quem trabalhou por quatro anos na Nextel, consiga trazer um pouco das práticas que transformaram a operadora em um grande fornecedor de pequenas empresas para dentro da Symantec.

A transformação da Symantec de uma empresa “produtocêntrica” para uma companhia mais consultiva em curso no Brasil é um reflexo da estratégia mundial da empresa, onde os desafios encontrados até agora mostram que o trabalho de Chaia não será nada fácil.

Quando Chaia estava há pouco mais de uma semana na Symantec, a multinacional demitiu depois de menos de dois anos no cargo o seu CEO, Steve Bennett, um profissional do mesmo perfil do novo líder das operações latino americanas, sendo um executivo de mercado, de fora da área de segurança. 

O vice presidente e diretor geral da Symantec Brasil e América Latina diz que esteve na Califórnia conversando com o CEO interino Mike Brown, que garantiu que os planos para a região seguiam os mesmos.

Indepentente de quem for o novo CEO global escolhido, a Symantec deve seguir o trabalho de se reposicionar, em um mercado no qual uma grande concorrente como a McAfee foi adquirida pela Intel, e agora ensaia um discurso de “segurança das coisas”, ao mesmo tempo que uma leva de novas empresas como Palo Alto Networks e FireEye surfam em tendências como computação em nuvem e mobilidade, que os players consagrados do mercado de segurança demoraram a abraçar.

Apesar de tudo, o fato permanece sendo que a Symantec é um gigante que ainda pode ditar os rumos do mercado de segurança da informação.

No seu último trimestre fiscal, encerrado em julho, a empresa deu mostras de uma tíbia recuperação, com uma alta de 1% no faturamento, para US$ 1,735 bilhão, US$ 35 milhões acima do esperado pelos analistas. 

O resultado, no entanto, recebeu uma forcinha pelo fato do trimestre fiscal ter tido uma semana a mais. Para o próximo trimestre, enquanto busca um novo CEO, a empresa espera ficar estável ou cair 2,2% em faturamento, ficando na faixa dos US$ 1,64 bilhão.