Mas será que vai mesmo? Foto: Shutterstock

O número de jovens brasileiros que tem "muita vontade" de morar no exterior quase dobrou, saltando de 18% em 2008 para 35% em 2015.

Este é resultado de uma pesquisa da Folha de São Paulo com jovens entre 18 e 24 anos.

A categoria dos que disseram ter "nenhuma vontade" caiu de 57% para 35% no mesmo período. O grupo dos com "pouca vontade" passou de 24% para 30%.

"É um raciocínio ponderado e pragmático, não tem idealismo romântico. Desde a década de 1990, o jovem tem muito ceticismo em relação às grandes transformações do país, por isso canaliza aspirações para ideais bem tangíveis", disse ao jornal paulista Tiago Corbisier Matheus, psicanalista e pesquisador da FGV-SP.

A quantidade de jovens adeptos da tese de que a saída do Brasil é o aeroporto muito provavelmente foi impactada também pelo atual panorama econômico.

O jovem que respondeu a pesquisa em 2008 vivia sem saber o auge de uma era de crescimento, com altas do PIB acima de 3% desde 2005, chegando a um pico de 6% em 2007 e 5% no ano seguinte.

No ano passado, no entanto, a economia cresceu 0,1%, com perspectiva de recessão para esse ano, e, de acordo com analistas mais pessimistas, 2016 também. 

Quem está começando a vida profissional paga uma fatia desproporcional do colapso econômico do país.

O desemprego para quem tem entre 18 e 24 anos de idade ficou quase todo o ano passado na casa dos 12%. Chegou a cair em dezembro para 10,5%. 

Mas, depois, foi só ladeira acima e bateu 15,7% em março, último dado das seis regiões metropolitanas que o IBGE pesquisa. É mais que o dobro da média geral.

No entanto, outras respostas dadas na pesquisa da Folha indicam que o sonho de emigrar é um escapismo de jovens que mostram postura surpreendentemente conservadoras sobre sua carreira para quem viu mais de uma pesquisa sobre a geração Y.

O salário e a remuneração são a ideia mais associada ao emprego para 25% dos respondentes, bem à frente de sentimento (14%) e objetivos e pessoais e profissionais (9%), em uma pergunta na qual era possível marcar mais de uma resposta.

A grande maioria dos jovens prefere ainda trabalhar com horário fixo (71%), em uma empresa (59%) com maior responsabilidade e salários (60%).

Apenas 38% disseram querer trabalhar em casa. Horários flexíveis foram lembrados por apenas 27% na hora de definir um trabalho ideal.