Glauco José Corte. Foto: divulgação

Industriais das regiões Oeste e Extremo Oeste de Santa Catarina pagam caro demais para fazer chegar seus produtos aos portos, o que dificulta seus negócios a ponto de poder gerar uma migração da indústria para outros estados.

A afirmação é do presidente da Fiesc, Glauco José Côrte, que defende investimentos na infraestrutura de transporte para criar um eixo de desenvolvimento Leste-Oeste, integrando a economia catarinense, como forma de compensar a equalização das alíquotas de ICMS em 2013.

"O industrial não fala em crise, mas na preocupação com os custos de logística", ressaltou Côrte em reunião realizada na segunda-feira, 07, entre empresários, representantes de entidade e o governador Raimundo Colombo.

Côrte também pediu a ampliação do programa de incentivos Prodec e cobrou a liberação imediata de créditos de ICMS na compra de ativos permanentes (máquinas e equipamentos) para os industriais da região.

Além disso, voltou à carga no quesito “impostos”, pedindo a equiparação da tributação para a indústria catarinense com a dos atacadistas.

“Com os atuais incentivos dados aos centros de distribuição, os varejistas pagam menos ICMS (12%) do que se comprassem da indústria (17%)”, salientou o gestor.

Para o presidente da Fiesc, as medidas são fundamentais para fortalecer as indústrias que já estão em Santa Catarina e beneficiar as que têm intenção de vir para o estado.

Ele voltou a lembrar uma proposta de reforma de política industrial para o estado entregue à Secretaria da Fazenda pela Federação no primeiro semestre de 2011.

Sem medo
"A indústria não tem medo da crise e não se curva diante dela, tanto que criamos 26 mil novos empregos no primeiro trimestre, mais de 50% das vagas abertas no estado no período. Isso demonstra confiança do empresário na recuperação da economia", enfatizou Côrte.

Para ele, quando a economia cresce mais robustamente, como em 2010, os problemas estruturais quase não aparecem, mas em cenários de retração, como em 2011, as dificuldades se tornam ostensivas e viram verdadeiros “obstáculos” à competitividade.

Para Côrte, é preciso inovar a política industrial na fase boa.

“É nos momentos de crise que os investimentos não realizados fazem falta”, ressaltou.

Resultado
Nesta segunda-feira, 07, o governador Raimundo Colombo assinou um decreto para criar uma comissão de trabalho, coordenada pela Secretaria da Fazenda, que terá 30 dias para apresentar uma proposta para delinear as próximas ações do governo em relação à legislação do ICMS.

Além disso, o governante anunciou a criação de uma linha de financiamento subsidiado para apoiar as atividades que serão afetadas pela unificação da alíquota e destacou que o Estado vai fazer um esforço para melhorar a infraestrutura.

"Estamos vivendo o drama da resolução há bastante tempo. Agora, temos que encontrar o campo da superação e tomar medidas práticas", finalizou Colombo.