Jorge Gerdau falou no Fórum da Liberdade.

O Brasil deveria parar de “brincar de Mercosul bolivariano” e adotar a estratégia de países que não estão no bloco econômico como Colômbia, Perú e Chile e buscar acordos comerciais bilateriais com Estados Unidos e União Européia.

 

A opinião é do presidente do conselho de administração da Gerdau, Jorge Gerdau, que subiu um pouco o tom das suas críticas habituais a condução econômica e governança do país nesta terça-feira, 08, durante participação no Fórum da Liberdade, em Porto Alegre.

 

“Será que a Cristina Kirschner tem que dizer ao Brasil o que fazer?”, cutucou Gerdau, fazendo eco à manifestação do candidato à presidência Aécio Neves (PSDB), que durante participação no mesmo evento no dia anterior também pediu a saída do Mercosul.

 

Gerdau também falou sobre as manifestações que varreram o país em junho, interpretadas pelo empresário como um sintoma da insatisfação popular com os serviços oferecidos pelo governo em áreas como saúde, educação e mobilidade urbana.

 

“Quem tem uma esposa, uma filha que precisa entrar em trem na Central do Brasil tem que se revoltar mesmo”, fulminou Gerdau, fazendo menção a estação central de trens do Rio de Janeiro, palco frequente de cenas de superlotação.

 

Por diversas vezes Gerdau fez menção à sua experiência no governo, como coordenador da Câmara de Gestão e Planejamento do governo Dilma Rousseff e em nenhuma delas pareceu lá muito satisfeito.

 

[O empresário não falou da Petrobras, estatal envolta em problemas na qual foi conselheiro até a semana passada].

 

“O modelo de crescimento bateu no teto e é difícil aceitar essa realidade”, criticou Gerdau, fazendo menção a um quadro formado por um ciclo de crescimento baseado na expansão do consumo da população financiado pelo boom de exportações de comodities para a Ásia.

 

Destacando o baixo incremento do crescimento econômico do país, de 3% anual em média desde o Plano Real, Gerdau voltou a insistir no que repetidamente apontou como a fórmula para o crescimento: aumento da poupança interna dos atuais 18% para algo acima de 20%, com redução dos custos do governo.

 

Dos 18% de economia do PIB, apontou Gerdau, 16 pontos percentuais vem da economia do setor privado, uma participação desproporcional em um país no qual a carga tributária já responde por 40% do total de bens produzidos.

 

O empresário gaúcho apontou como factível uma economia mínima de 30% nos custos do governo para viabilizar novos investimentos, além da adoção de mais parcerias com o setor privado na área de infraestrutura, onde o defícit de investimentos já chegaria a R$ 600 bilhões, frente a um gasto anual do Ministério dos Transportes na faixa dos R$ 8 bilhões nos últimos dois anos.

 

“O governo pode ver o mercado como alvo intervenção: para isso um bom benchmark é Cuba. Ou é possível usar o próprio mercado em benefício do governo”,  alfinetou Gerdau, que momentos antes ironizou sobre a “brilhante ideia” do governo gaúcho ao estatizar concessões privadas nas rodovias gaúchas.

 

No final de 2011, o empresário já havia dito que é “impossível” governar com os atuais 39 ministérios [talvez sejam mais agora, quem sabe] e voltou a bater na tecla hoje, revelando uma conversa de bastidores com Aécio no qual teria sugerido seis [Gerdau nomeou cinco, por atividades: área econômica, social, segurança, internacional e política].

 

Gerdau criticou a falta de uma “proposta”, uma visão de longo prazo por parte do governo sobre os objetivos do país e delineou a sua: dobrar a renda per capita até 2020, com uma taxa de crescimento anual na faixa dos 4,5%.

 

Ao final da sua apresentação, Gerdau se permitiu uma nota tênue de otimismo, lembrando que o Brasil é um “país milagreiro” que em outros momentos já pareceu que “terminou” e “acabou voltando”.

 

“Apesar de tudo, é o melhor país que eu conheço para trabalhar”, resumiu Gerdau.