Marcos Primo.

A Progress fez uma reoganização mundial dos seus negócios, com consequências no Brasil, um dos mercados destaque da empresa no mundo.

A companhia acaba de nomear Marcos Primo como country manager no país, substituindo Edenize Maron, que em agosto empacotou as malas para a Software AG com pouco mais de um ano de casa.

A troca é sintomática. A Software AG comprou em julho a plataforma Apama, software de processamento de eventos complexos (CEP, na sigla em inglês) da Progress no qual a empresa tinha posto suas fichas de 2008 para cá.

A Progress também vendeu outros softwares com os quais tentou em sucesso diversificar e decidiu voltar às origens e concentrar esforços no Open Edge, plataforma de desenvolvimento e banco de dados, remoçado com funcionalidades móveis e de computação em nuvem.

Primo é o executivo para isso. Com 13 anos de casa, o novo presidente tem um background comercial e experiência atuando diretamente com grandes clientes da multinacional como Tumelero, Angeloni, Unimed Caxias do Sul e Grendene.

O que todas essas empresas tem em comum é serem usuárias do ERP da Datasul, que é baseado em tecnologia Progress. Desde que a companhia foi adquirida pela Totvs, em 2008, rumores circulavam que a Totvs poderia optar por descontinuar o uso do OpenEdge.

Somado com o novo discurso comercial da empresa, os rumores acabaram por dar à tecnologia da Progress um ar de “legado” que serviu bem para uma ofensiva de empresas como a SAP sobre a base de clientes Datasul, as maiores organizações da base Totvs.

As duas empresas parecem ter entendido que a situação é mutuamente desvantajosa e decidiram estreitar relações. Acordos assinados recentemente fazem da Totvs uma revenda de Open Edge no México, Argentina, Chile, Panamá, Guatemala, Honduras, Costa Rica, Paraguai, Bolívia e Uruguai.

O banco de dados também passa a rodar no ERP Protheus, dono de uma grande base de usuários entre pequenas empresas brasileiras antes desenvolvido em ADVPL, uma linguagem proprietária da Microsiga.

“Estamos voltando ao nosso DNA de ser uma vendedora de plataforma de desenvolvimento de aplicações”, afirma Primo.

O novo country manager está confiante na capilaridade do canal da Totvs, que tem uma área de venda de tecnologia de terceiros, além do que considera a competitividade da oferta da Progress frente ao banco de dados SQL Server da Microsoft.

“Banco de dados hoje é uma comoditie. Acredito que fatores como o fato do nosso produto ser autogerenciável, de fácil utilização e compactível com Linux podem fazer a diferença”, projeta o executivo.

A empresa também trocou de CEO nos Estados Unidos, cortou 20% da equipe e começou um programa de recompra de ações, num esforço para melhorar os resultados que começa a render alguns frutos. No último trimestre, a empresa cresceu 4%, para US$ 77,6 milhões.

A multinacional americana é pequena e especializada perto da Totvs, que no seu último trimestre faturou R$ 410,4 milhões, alta de 14%, e tem no seu código genético vender ERP, não aplicações de desenvolvimento de software.

Mas vários casamentos de opostos já deram certo.