Diego Gomes abriu o jogo no blog da Rock Content.

A Rock Content, plataforma mineira de marketing de conteúdo, fez um corte de 20% na sua equipe, comunicou o CEO da empresa, Diego Gomes, em um post no blog da companhia.

Gomes não chegou a abrir qual é o tamanho do corte. Nos comentários da postagem, o próprio CEO compartilhou um o link para uma planilha de contatos de funcionários demitidos, na qual constam 90 nomes, visando ajudar a recolocação dos colaboradores.

Pelos dados da planilha, o corte foi mais pesado nas áreas de marketing, vendas, sucesso do cliente, com menos funcionários atingidos nas áreas de desenvolvimento e produto.

A quantidade de pessoas na planilha é próxima de 20% dos 500 funcionários que a Rock Content tinha no final do ano passado, quando adquiriu uma empresa americana e passou a ter operações no México, Estados Unidos, Canadá e Europa.

Na época, o Brazil Journal afirmou que a companhia estava batendo nos R$ 100 milhões de faturamento.

Fundada em 2013, a Rock Content conta com uma rede de 80 mil profissionais em sua plataforma. A companhia conecta empresas com os talentos para a criação de materiais para publicações, especialmente blogs e sites corporativos.

Segundo Gomes detalhou no seu post, a trajetória era de crescimento até o surgimento em cena do coronavírus.

De acordo com Gomes, a companhia se preparava para atingir o breakeven no último trimestre de 2020, tendo batido 200% da meta para América do Norte e 90% da meta para o Brasil no primeiro trimestre.

No entanto, a pandemia trouxe um impacto não revelado na  divisão de pequenas empresas no Brasil, que representa 20% da receita e emprega a maior quantidade de funcionários.

"Tivemos uma quantidade nunca vista de pagamentos atrasados e pedidos de cancelamento, uma grande ameaça para nosso fluxo de caixa", relata Gomes. 

De acordo com o CEO, a decisão de focar esforços no mercado de médias e grandes empresas, há dois anos, é responsável pela continuidade da operação.

"Se a COVID-19 tivesse acontecido 18 meses atrás, existiria uma chance alta de que não sobreviveríamos como empresa", revela Gomes.

O CEO abriu a planilha de redução de custos na empresa, que inclui cancelamento de posições no coworking WeWork em São Paulo, Boston, Oakland e Berlim, além de renegociações de aluguel e fornecedores de software como serviço na faixa dos 30%.

"Tenho certeza que outras start-ups estão enfrentando problemas similares, e estamos sendo o mais transparentes possível. Para os fundadores e líderes de start-ups, deixo claro: é muito difícil", afirma Gomes.

Pelo menos outras duas startups de destaque no país fizeram cortes no país nos últimos dias. Eles foram maiores do que o da Rocket Content, provavelmente porque as companhias tem modelos de negócio dependentes de setores em crise profunda.

O maior deles foi na MaxMilhas, um portal de compra e venda de milhagem áreas, em queda violenta de receita com os cancelamentos de voos em nível mundial. 

Max Oliveira, fundador e CEO da MaxMilhas, publicou um artigo no Linkedin, revelando um corte de 42% na equipe, totalizando 167 demissões.

Já a Gympass, serviço de assinatura corporativa de academias que tem status de unicórnio, demitiu cerca de 30% da equipe, algo como 400 pessoas.

Ao contrário de MaxMilhas e Rocket Content, a Gympass não falou abertamente sobre o assunto, que acabou na imprensa de qualquer maneira e acabou sendo confirmado pela empresa.