Régis Haubert. Foto: divulgação.

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O ano de 2014 foi de crescimento para a Abinee-RS. Entretanto, confrontados com o cenário econômico do país, os números registrados pela entidade não foram o suficiente para garantir a saúde do segmento eletro-eletrônico no estado.

Em termos nominais, as empresas associadas à Abinee-RS registraram um percentual de 4,86% de aumento em relação a 2013, fechando o período com uma receita combinada de R$ 8,5 bilhões - em 2013 o setor faturou R$ 8,1 bilhões.

Comparado com os números nacionais da entidade, a indústria eletroe-eletrônica gaúcha se saiu ainda melhor. No mesmo período, o segmento teve um faturamento de US$ 153 bilhões, uma queda de 1,9% em relação a 2013.

"Crescemos nossa participação no agregado nacional para o setor. Agora representamos 5,58% do bolo total contabilizado pela associação", avalia Haubert.

Dentro da produção total gaúcha, as associadas da Abinee respondem por 54,38% de toda a indústria eletroeletrônica do estado. Já o setor como um todo tem uma fatia de 2,58% dentro do PIB gaúcho, que teve uma variação nula de 0% em 2014.

Mesmo assim, os números não são motivos de comemoração, conform explica o diretor. Levando em consideração a inflação registrada no ano passado, que foi de 6,41 e que rebaixa o percentual de crescimento para um prejuízo líquido de 1,55%.

Outro número de retração divulgado pela Abinee-RS foi na parte de empregos do setor, que caiu de 28,4 mil para 27,5 mil de 2013 para 2014, uma queda de 3,16%.

"Mesmo com esta redução no quadro de trabalhadores, existe um dado positivo neste quadro. Com o aumento de faturamento, apesar dos cortes, é visível um crescimento de produtividade no setor", avalia Haubert.

Mantendo o assunto de produtividade, Haubert destacou as indústrias de produtos de automação comercial como um dos principais motores do crescimento do setor em 2014. O segmento teve um superávit de 17,5%, seguido por componentes elétricos e eletrônicos (15%), e telecomunicações (12,5%).

"Atualmente, as empresas de automação industrial representam cerca de 30% do faturamento da entidade", destaca o diretor regional da Abinee, que também citou o momento de recessão nas indústrias como uma oportunidade para a automação, já que empresas passaram a investir nestas tecnologias para reforçar sua produção.

Na ponta negativa deste ranking, a indústria gaúcha de produtos de informática continuou seu ritmo de decréscimo, atingindo uma redução de 29% em relação a 2013.

Para 2015, Haubert segue a postura sóbria e pouco animada já adotada em anos anteriores. Apesar de citar um primeiro trimestre acima do esperado em termos de negócios, a estimativa da entidade para o ano é um crescimento de 3%, uma média que preocupa os empresários.

De acordo com o executivo, os prospectos econômicos para o ano, como uma inflação projetada acima dos 8% e as flutuações cambiais, o que afeta o valor dos insumos utilizados pela indústria, um possível crescimento pode ainda representar uma retração no setor.

"Numa conta bruta, com toda esta crise provavelmente necessitaremos de um crescimento de 20, 25% no ano para realmente termos um quadro otimista para o segmento", afirma Haubert.