A base de tudo. Foto: Volkswagen.

O Grupo Volkswagen anunciou durante a feira automotiva anual de Genebra, na Suíça, que está abrindo a sua plataforma de carros elétricos para terceiros. 

A chamada Modular Electric Toolkit é arquitetura de base da nova geração de carros elétricos da VW, feita especificamente para veículos elétricos, e não uma adaptação de designs pensados para carros movidos a motor de combustão.

De acordo com comunicado à imprensa, a VW quer uma redução significativa no custo da mobilidade elétrica através da implantação mais ampla possível da plataforma, conhecida pela sigla MEB. 

A montadora alemã provavelmente quer faturar com o estabelecimento de um padrão de mercado, mais ou menos como a Intel fez ao criar o padrão x86 para computadores ou o Google com o Android, para fazer uma comparação usando empresas de tecnologia, nos quais esse tipo de estratégia é mais comum.

O Grupo Volkswagen está atualmente projetando uma primeira onda de cerca de 15 milhões de veículos elétricos puros baseados no MEB. 

A e.GO Mobile AG, uma startup com sede em Aachen, na Alemanha, será a primeira parceira externa a usar a plataforma MEB em seus próprios modelos de veículos, como é o caso do recém lançado ID.Buggy, que ainda leva a marca VW. 

Seus outros modelos com o sistema MEB embarcado, entretanto, estamparão a marca própria. Cabe destacar que a e.GO Mobile nasceu dentro de um campus universitário e atualmente emprega 300 pessoas.

Com mais esse passo, o Grupo Volkswagen, que controla marcas como Lamborghini, Porsche, Audi, Bentley, Bugatti, Scania, entre outras, pretende liderar o novo e exponencial segmento da mobilidade elétrica e conectada. 

Atualmente a Tesla é quem domina esse segmento em termos tecnológicos, mas ainda enfrenta dificuldades para dar conta da demanda crescente. Para se tornar líder, a Volkswagen aposta na abertura da sua plataforma, no seu poder de escala e em investimentos bilionários. 

Depois do escândalo do dieselgate, a VW foi condenada a compensar seu erro por meio da divulgação e implantação de programas de redução de emissões de carbono. Esse foi o estopim da mudança que pode estar levando a montadora alemã a despontar como líder do movimento. 

A companhia anunciou investimento de 44 bilhões de euros em eletrificação, digitalização, serviços de mobilidade e direção autônoma até 2023, dos quais 30 bilhões serão destinados à mobilidade elétrica. 

O Grupo VW espera que os veículos elétricos representem aproximadamente um quarto da carteira de modelos até 2025. Não é pouca coisa.     

* Carlos Martins é idealizador da E-24, a primeira corrida de carros 100% elétrica do Brasil e escreve para o Baguete sobre temas relacionados com indústria automobilística e mobilidade.