Brasileiros vão carregar malas na Copa. Foto: divulgação/Copacabana Palace.

O setor hoteleiro quer criar, junto ao governo, um programa para trazer profissionais estrangeiros para eventos como a Copa das Confederações e a Copa do Mundo de 2014 no Brasil.

O objetivo é suprir a carência de mão de obra qualificada, principalmente de Portugal e Espanha, países com infraestrutura turística desenvolvida e altos níveis de desemprego no momento.

Uma reportagem da Folha de S. Paulo afirma o Fohb (Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil), representante de 25 redes e 523 hotéis no país, projeta a criação de 50 mil vagas e dificuldades de contratação.

O  presidente da entidade, Roberto Rotter, afirma que a pedido do Ministério do Turismo está buscando alternativas para “auxiliar a trazer essa gente”.

Entre os cargos que devem ser ocupados estão os de recepcionistas e de gerentes. Segundo Rotter, o programa para atrair mão de obra estrangeira seria temporário.

A BUROCRACIA
Enquanto as autoridades buscam alternativas, uma pesquisa aponta que o Brasil é o país com menor flexibilidade para contratação de estrangeiros. O The Global Skills Index 2012, da Hays, estudou 27 países.

O principal problema para permitir a entrada de estrangeiros no Brasil é a burocracia. Para o diretor da consultoria, Juliano Ballarotti, Cingapura e Hong Kong são exemplos de emergentes que regulam a entrada de profissionais estrangeiros de forma eficiente.

Conforme o estudo divulgado na Exame a falta de qualificação profissional é o principal fator que leva empresas a buscar mão de obra em países como Portugal e Espanha.

Além da Engenharia, que sofre habituais reclamações pela falta de profissionais, a deficiência também está na TI e no setor de ciências da saúde.

Por isso, Ballarotti aconselha reter os funcionários promissores e ajudar na qualificação. “Dar condições claras de crescimento, praticar salários condizentes com o mercado e dar alguma flexibilidade”, diz.

MUDANÇAS NA LEGISLAÇÃO
Para sanar o problema, é preciso que aconteçam mudanças nas regras para a contratação de terceirizados.

De acordo com a matéria da Folha, os donos de hotéis querem autorização para terceirizar funções que são ligadas ao setor, já que atual legislação só permite que se terceirize profissionais que não são ligados à atividade principal da empresa.

Há também a negociação para que seja possível contratar por hora de trabalho para demandas esporádicas.

POR QUE MESMO?
Além de apontar, mais uma vez, para a falta de qualificação da mão de obra local, o projeto também coloca em questão os benefícios de sediar os grandes eventos esportivos, já que uma das justificativas é a geração de empregos para os brasileiros.

No Mundial da Alemanha, em 2006, falou-se na criação de 100 mil empregos, mas um estudo feito depois do evento contabilizou apenas metade do número estimado.

Em termos de PIB, o aumento é quase certeiro nos últimos anos. As pesquisas mostram que em 1994 os Estados Unidos tiveram um aumento de 1,4% no PIB – apesar do evento ter gerado um prejuízo entre US$ 5,5 e US$ 9,3 bilhões para as cidades sede; em 1998, na França, o número cresceu 1,3%; em 2002, a Coréia o elevou em 3,1% enquanto o Japão teve decréscimo de 0,3%; e a Alemanha teve 1,7% a mais no PIB em 2006.