Inovação no Brasil está com pilha fraca. Foto: flickr.com/photos/pprats

O investimento em pesquisa e desenvolvimento (P&D) em relação ao PIB está estagnado no Brasil. 

É o que aponta a última edição da pesquisa de Inovação (Pintec) do IBGE, referente ao período 2009-2011 e foco de uma nota de análise do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgada nesta sexta-feira, 06.

De acordo com os dados da Pintec, os gastos em atividades internas de P&D alcançaram R$ 24,24 bilhões em 2011. Parece uma cifra alta, mas é pouco em relação ao volume total do PIB, quesito no qual a evolução é pequena.

Apesar de ter evoluído em relação aos números do ano 2000, quando a cifra era de 0,37%, a participação está quase no mesmo patamar desde 2005, quando chegou a 0,54%, aumentando um pouco para 0,58% em 2008 e 0,59% em 2011.

A título de comparação, nos Estados Unidos a participação do P&D no PIB fica em 1,83% e na Zona do Euro em 1,34%. Na economia americana, a participação caiu de 2008, quando era de 1,97% e na européia a alta foi pequena, de apenas 0,10 ponto percentual.

Se a estagnação da inovação brasileira corre em paralelo com a de economias mais desenvolvidas, ela se torna mais preocupante em relação a outro país emergente como a China. De 2005 até 2011, com crise econômica mundial e tudo, os chineses saltaram de 0,91% para 1,39%.

O  número de empresas que declararam ter introduzido pelo menos uma inovação no período considerado também está em queda. 

Após um crescimento sistemático da taxa de inovação nas quatro pesquisas inicado ainda em 1998 (de 31,52% para 38,11%), houve uma queda para 35,56% no período 2009-2011.

O Ipea oferece explicações para o fenômeno, basicamente um choque de realidade sobre as características estruturais da economia brasileira envolvendo fatores como a baixa relação entre empresas e universidades e centros de pesquisa e o perfil pouco intensivo em tecnologia dos setores econômicos que respondem pelo grosso do PIB.

É um cenário que se agrava, ao invés de mudar.

“O que se verifica no período recente é um aprofundamento dessa especialização produtiva. Assim, os preços internacionais de commodities ainda em alta e uma conjuntura de perda de dinamismo da indústria (setor responsável por mais de 70% dos investimentos empresariais em P&D no país) contribuíram para profundar a especialização produtiva da economia brasileira em segmentos de baixa intensidade tecnológica”, analisa o Ipea. 

Na visão do Ipea, apesar de haver “crescimento do conteúdo de conhecimento em setores intensivos em tecnologia” esses setores estão perdendo espaço na estrutura produtiva brasileira, o que se traduz na participação do P&D no PIB.

Para o instituto, uma fundação pública federal vinculada ao Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência da República do Brasil, as políticas públicas da última década não foram capazes de fazer a diferença.

Quando lançou a Política de Desenvolvimento Produtivo em 2008, reintroduzindo na política economica o conceito de política industrial o então presidente Lula colocou a meta de que a participação do P&D privado no PIB, minoritário em relação ao investimento público de incentivo à pesquisa acadêmica no computo geral, alcançasse 0,65% do PIB em 2010.

Na época, foram divulgados valores de  uporte dos financiamentos de R$ 210,4 bilhões para indústria e serviços, entre 2008 e 2010, e outros do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) da ordem de R$ 210,4 bilhões para indústria e serviços, entre 2008 e 2010 e outros R$ 41 bilhões no setor científico e tecnológico. 

“O país consolidou um cardápio relativamente completo de políticas de inovação: incentivos fiscais, subvenção, crédito subsidiado, entre outros. Apesar desse conjunto de políticas apontar na direção correta, faltam-lhe elementos fundamentais, especialmente foco, priorização e volume adequado de recursos”, avalia o Ipea.