Diego Majdalani.

Uma das vedetes da Dell durante o Dell World, evento global da companhia em Austin, no Texas, foi o crescimento da companhia na parte de softwares, que registrou índices de 380% em âmbito global e dois dígitos no Brasil, segundo dados da companhia.

O crescimento envolve soluções de segurança, como o SonicWall, que já faziam parte do portfolio da empresa há algum tempo, assim como novas aquisições, como a Quest, empresa de soluções para gerenciamento de bancos de dados.

Entretanto, o crescimento mais comemorado pela companhia partiu do desenvolvimento de aplicações embarcadas em seu hardware, envolvendo recursos otimizados para redes otimizadas via software, assim como data centers gerenciados via software.

"Trabalhamos com o conceito de empresa definida via software (SDE, na sigla em inglês), e isso está movendo nossas soluções e produtos em direções bastante inovadoras”, destaca Luis Gonçalves, diretor-geral da companhia para o Brasil.

Na América Latina, o mercado de software representa uma fatia de 15% dos negócios da companhia, mas o plano é aumentar esse share, com base na estratégia de venda de software dentro de seus produtos.

"Também queremos marcar presença em ambientes com equipamentos de terceiros. Adotamos uma postura agnóstica, com parceiros de padrão aberto como Redhat e outros como VMWare e Microsoft", destacou Gonçalves.

Entretanto a aposta em estruturas convergentes e vendas integradas parece ser a menina dos olhos da companhia – e de boa parte da indústria de TI nos últimos anos, é preciso dizer. 

Segundo Amaury Gallisa, vice-presidente da Dell software para América Latina, há o esforço da companhia para impulsionar uma oferta integrada destas soluções.

Um exemplo citado pelo VP foi o conceito de redes definidas por software (SDN), uma tendência que ainda causa confusão entre os CIOs, tanto na América Latina quanto globalmente. 

Segundo ele, a demanda do mercado é de que as empresas já tenham produtos afinados e otimizados para estas novas tecnologias, tirando as dores de cabeça do setor de TI.

"A importância de incluirmos softwares próprios dentro de nossos produtos é a possibilidade de participarmos e otimizarmos as soluções de cada cliente em uma abordagem de ponta a ponta, com uma qualidade de serviço superior aos concorrentes", explica Gallisa.

Um dos produtos focados nesta proposta foi o novo PowerEdge FX, solução combinando servidores, storage e redes, já rodando em uma interface otimizada para fácil integração e configuração.

O produto foi anunciado durante o evento, já com disponibilidade global. No Brasil, a solução estará à venda via importação e não há previsão de fabricação local, diferentemente da linha VRTX, "antecessora espiritual" deste novo produto.

Ao falar de software, Gallisa também mencionou o recente esforço da companhia em qualificar canais. Na terça-feira, 04, a companhia anunciou um investimento de US$ 125 milhões em seu programa de vendas indiretas, incluindo a capacitação de canais.

De acordo com o VP, um programa de certificações está no futuro da empresa, uma forma de especializar diferentes revendedores e direcioná-los de acordo com as diferentes necessidades dos clientes.

"Teremos diferentes níveis de qualificação para os canais. Alguns serão mais especializados em entrega de software, outros em vendas de hardware, e também as com expertise em implementações.

INTERNET DAS COISAS

Um tema muito badalado durante 2014, a Internet das Coisas também foi abordado pela Dell Software. Segundo a empresa, a empresa quer participar desta tendência mais nos bastidores, com software em vez de fornecer dispositivos.

"Estamos trabalhando com uma previsão de futuro ainda, com algo que estamos apenas arranhando a superfície", afirmou Diego Majdalani, vice-presidente da Dell America Latina.

Para a América Latina, Majdalani reconheceu que a IoT ainda tem muito o que percorrer na parte de implementação, devido à dificuldades de infraestrutura, preocupação que é compartilhada tanto por fabricantes quanto por empresas de telecomunicação.

Segundo dados do Gartner, até 2020 cerca de 26 bilhões de dispositivos estarão conectados globalmente. Quanto à participação brasileira nessa onda, isso ainda é uma incógnita.

"É difícil prever quando ou como essa mudança realmente acontecerá. O que estamos fazendo a curto prazo é preparando nossos sistemas e softwares para lidar com esse novo mundo", revela o VP.

Entretanto, para a Dell, o objetivo é já oferecer produtos e soluções já adaptáveis para estas novas demandas, conversando com os CIOs e começando por grandes companhias e cidades inteligentes.

"No final do dia, a Internet das Coisas se trata de dados e de como nossos clientes podem usá-los, transformando em valor. Nós estaremos nos bastidores, auxiliando na segurança e na análise das informações", finaliza Majdalani.

* Leandro Souza viajou a Austin a convite da Dell.