ENCUENTRO

South Summit terá edição em Porto Alegre

06/10/2021 12:37

Evento espanhol de grife deve acontecer no primeiro trimestre de 2022. Não confundir com o Web Summit.

O governador Leite e o prefeito Mello, junto com Maria Benjumea, do South Summit. Foto: Gustavo Mansur / Palácio Piratini.

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Porto Alegre será o novo destino do South Summit, uma feira de inovação realizada em Madri, na Espanha, desde 2012, e que nos últimos anos vem se ampliando internacionalmente.

A previsão é que o evento aconteça na capital gaúcha no primeiro trimestre de 2022. 

O anúncio da vinda do evento foi feito direto da capital espanhola, onde o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, e o prefeito de Porto Alegre, Sebastião Mello, lideram no momento uma grande missão gaúcha, com mais de 50 participantes.

A programação contou com encontros com o CEO do Santander, Gustavo Mansur, que anunciou novos investimentos no Rio Grande do Sul, e o rei da Espanha, Felipe VI, a quem Leite deu de presente um pandeiro (coisas da diplomacia internacional).

O grande destaque era o anúncio do South Summit, uma negociação que vem acontecendo discretamente há um ano, liderada pelo empresário José Renato Hopf, CEO da 4All, e conhecido pelo seu papel na criação da Getnet.

Segundo Hopf disse a repórteres acompanhando a delegação gaúcha na Espanha, a  estimativa é atrair entre 3 mil e 5 mil pessoas ligadas aos negócios, e outras 15 mil pessoas visitando o evento.

São metas significativas, uma vez que em 2019, o último ano em que o evento aconteceu em circunstâncias normais, foram 20 mil participantes para Madri, incluindo representantes de 6,5 mil startups e 1,1 mil investidores.

Segundo informações de bastidores obtidas pelo Baguete, o evento pode acontecer dentro da PUC-RS, que já recebe grandes eventos como o Fórum da Liberdade; no parque tecnológico da universidade, o Tecnopuc; ou ainda nas novas estruturas inauguradas recentemente no Cais do Porto da capital, todos locais visitados pela equipe do South Summit.

Pode ser que o evento aconteça um pouco em cada um desses lugares, de maneira descentralizada, segundo disse Hopf ao jornal gaúcho Zero Hora.

“O futuro do estado depende da condição de associarmos universidades, startups, poder público, financiadores. E essas feiras têm essa característica. Levar uma feira com essa bandeira, que tem esse potencial, vai ajudar a levar o nosso ecossistema de inovação com o sistema que já existe aqui”, disse Leite em Madri.

Ninguém falou disso, mas uma franquia de um evento de grife como o South Summit custa dinheiro, que provavelmente vai vir em boa parte do governo do estado e da prefeitura da capital, como indicam a presença na Espanha de Leite e Mello.

Segundo a apuração do Baguete o acordo fechado prevê o evento em 2022 e mais a opção para outras três edições.

É um pacote parecido com o que estava em negociação com o Web Summit, um evento com mais porte e mais grife que o South Summit, cuja negociação com Porto Alegre pipocou na imprensa no final de 2020.

Na época, o que circulou foi que o evento custaria R$ 30 milhões por ano, com uma previsão de quatro edições.

O valor seria só pela franquia e não inclui a infraestrutura de uma área de 22 mil metros quadrados, provavelmente com conectividade de ponta e outros apetrechos típicos de um evento de alto padrão.

Em Lisboa, onde é realizado nos últimos anos, o Web Summit é uma atração mundial, visitada por 70 mil pessoas na última edição presencial.

O tema Web Summit no Brasil veio à tona quando o CEO do evento, Paddy Cosgrave, divulgou na sua conta do Twitter a disputa entre Porto Alegre e Rio de Janeiro.

Na época, Leite se engajou no assunto, inclusive respondendo o tweet de Cosgrave. De acordo com uma nota do governo gaúcho na época, Hopf também estava envolvido nessa negociação.

A razão da negociação com o Web Summit ter afundado é um mistério.  Nos últimos meses, a organização do evento não respondeu aos questionamentos do Baguete e depois que os valores surgiram na imprensa, o assunto desapareceu.

O Web Summit também apresentou a situação como uma disputa entre o Rio de Janeiro e Porto Alegre para levar o evento, ao estilo Copa do Mundo, o que pode ter causado problemas.

A negociação com o South Summit foi muito diferente. Nenhuma comunicação partiu do evento espanhol, muito menos pelo Twitter, não houve disputa aberta entre cidades, valores não surgiram antes do anúncio e as autoridades gaúchas apresentaram um fato consumado como ponto alto de uma missão organizada para esse fim com ampla cobertura positiva da imprensa local.

Segundo fontes ouvidas pelo Baguete, pode ter influenciado na decisão também um fator político.

A negociação com o Web Summit estava focada em um evento para 2023, e o governador gaúcho, que no momento nutre sonhos de uma candidatura presidencial pelo PSDB, queria um evento com visibilidade para a agenda de inovação na economia gaúcha ainda em 2022.

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