Luis Gonçalves, presidente da Dell Brasil.

A Dell manteve a liderança do mercado brasileiro no terceiro semestre e segue acumulando participação de mercado.

De acordo com dados do relatório Brazil PC Tracker 2016Q3 da consultoria IDC, a companhia teve 24,5% do total de unidades vendidas no terceiro trimestre, encerrado em setembro.

É um incremento sobre os 21% do trimestre anterior e ainda maior frente aos 15,8% de quando a companhia assumiu a ponta, obtida no primeiro trimestre de 2015. São sete trimestres de liderança.

“Mantivemos a liderança no mercado de PCs em todos os segmentos de clientes: usuários domésticos, pequenas, médias e grandes empresas”, afirma Rosandra Silveira, Vice-presidente para Consumidor Final e Pequenas Empresas da Dell Brasil. 

Ainda segundo o relatório da IDC, além da liderança geral do mercado de PCs e das vendas para usuários domésticos, pequenas, médias e grandes empresas, a Dell obteve o maior número de unidades vendidas de desktops (22,7%), notebooks (25,6%) e workstations (61,7%). 

A Dell não divulgou os dados de participação dos seus concorrentes, mas é possível supor que a empresa está ampliando a dianteira frente ao seu principal concorrente brasileiro, a Positivo.

No terceiro trimestre de 2014, quando a Positivo fez a última divulgação de dados da IDC, a companhia havia atingndo um market share de 16,6%, um incremento de 1,5 ponto percentual frente ao trimestre anterior que a colocava na liderança do mercado.

Só que muita água passou por debaixo da ponte desde então. A Positivo teve uma queda de 20% na sua receita líquida no ano passado, ficando em R$ 1,84 bilhão.

A empresa também viu o seu EBITDA cair 37%, para R$ 90,1 milhões e entrou no vermelho, saindo de um lucro líquido de R$ 23,3 milhões para um prejuízo de R$ 79,9 milhões.

Foi o segundo ano de resultados ruins da Positivo, que já havia tido queda de receita de 9,2% em 2014 frente a 2013. 

A liderança da Dell é resultado da convergência de fatores de longo e curto prazo. A construção da presença no varejo começou ainda em 2007, quando a empresa fechou um acordo com a rede Wal-Mart, encerrando sua estratégia de vender exclusivamente produtos customizados online.

Ganhar share é a única maneira de faturar mais no mercado de PCs, que está em processo de derretimento no Brasil ao longo do último ano e meio.

Para 2016, a IDC estima que sejam comercializados 4,6 milhões de computadores, ou seja, 31% a menos do que em 2015. 

O crescimento no Brasil é uma boa notícia para Dell, em meio a uma onda quase apocalíptica sobre o futuro do mercado de PCs.

Recentemente, o Gartner chegou a divulgar um estudo no qual dizia que as empresas devem decidir entre reformular seus negócios ou deixar o mercado de PCs até 2020. 

“O modelo de negócios de PCs que tradicionalmente conhecemos está enfraquecido. Os cinco maiores fornecedores de computadores portáteis conquistaram 11% do mercado nos últimos cinco anos, mas isso ocorreu às custas de uma receita rentável", explica Tracy Tsai, vice-presidente de Pesquisas do Gartner.

De acordo com a executiva, a forma tradicional de conquistar market share por meio de preços competitivos para estimular a demanda não funcionará para o mercado de computadores nos próximos cinco anos.