Procergs mudou plano de carreira.

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A Procergs está modificando seu plano de cargos e salários, com reajustes que vão impactar em um aumento da folha de 6% divididos nos próximos dois anos.

A folha de pagamento dos 1070 funcionários da estatal gaúcha de processamento de dados custa hoje R$ 7,5 milhões mensais. O reajuste representará um gasto adicional de R$ 5,4 milhões ao longo do período de 24 meses .

A conta exclui o reajuste de correção da inflação do último ano avaliada pelo INPC, que no período ficou em 4,9% e já é tradicionalmente concedido pela empresa.

Os aumentos foram obtidos após uma campanha salarial do Sindppd-RS iniciada em 2011 e que incluiu nove dias de greve e diversas paralisações de 1h.

A demanda era por aumento real de 10%. Os funcionários da Procergs também terão reajuste de 8% no vale-alimentação (passará para R$ 18) e de 16,66% no vale-rancho (passará para R$ 280).

Rosalino Mello, diretor Administrativo-Financeiro da Procergs destaca que não se trata de um reajuste linear e que os aumentos incidirão de maneira diferente dentro das diferentes carreiras.

“O governo foi sensível à necessidade de mudar o plano e conseguimos fazer um reajuste que não terá impacto nas nossas contas”, destaca Mello, apontando que contratos de prestação de serviços com a administração pública foram reajustados.

Os reajustes terão impacto nos salários dos recém-contratados para a área de desenvolvimento, que agora ficarão com um salário na faixa dos R$ 3,5 mil.

“A empresa vinha tendo dificuldades em preencher as novas vagas devido aos baixos salários”, afirma Marco Baldino, integrante da Comissão de Trabalhadores da Procergs. “A nova geração troca de trabalho com muito mais facilidade”, analisa Baldino.

Mello reconhece que os salários estavam defasados, mas afirma que o reajuste é um “passo inicial” na revisão de um plano de carreira estabelecido em 1976, quase na fundação da empresa.

Quando às novas gerações, Mello tem um outro ponto de vista sobre o grau de extensão dos comportamentos identificados com a chamada geração Y.

“Para muitos jovens mais pé no chão, que pensam em constituir família ou precisam de estabilidade, nós ainda oferecemos uma ótima carreira”, afirma o diretor administrativo-financeiro citando benefícios como o plano de saúde Unimed e as bolsas de estudo da empresa.

EM GUERRA COM O SEPRORGS
Em nota divulgado o reajuste, o Sinppd-RS aproveitou o reajuste concedido na Procergs para cutucar o Seprorgs, afirmando que o mesmo serve para “mostrar que a economia está aquecida e que o setor de TI do país tem condições de atender às reivindicações dos trabalhadores”.

O Sindppd-RS pede um aumento real de 2%, que somado ao INPC de 6,66% do período, resultaria em um reajuste de 8,66%, além da redução da semana de trabalho para 40h.

O Seprorgs, em linha com posições já assumidas anteriormente, não aprova aumento real, afirmando que os salários já estão pressionados em alta pela concorrência por mão de obra.

A tendência parece ser que o Sindppd-RS negocie com mais dureza nessa ocasião, pois está rebaixando as demandas apresentadas na negociação de 2011, na qual saiu com as mãos vazias.
 
No ano passado, o sindicato pedia 11% de aumento – levou 5,39%, equivalentes ao INPC do período – e redução imediata da jornada de trabalho de 44h para 40h, o que também não aconteceu.

A negociação está atualmente na Justiça Trabalhista.