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Azure está em apertos

05/07/2022 07:32

Aumento de demanda e problemas para ampliar capacidade estão levando data centers ao limite.

Infraestrutura da Azure está no limite. Foto: Pexels.

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A Microsoft está enfrentando problemas para atender a demanda pelo seu serviço de computação em nuvem Azure, em meio a um aumento da procura de clientes combinada com dificuldades de aquisição de hardware.

Segundo revela uma matéria do site The Information, cerca de 24 data centers da gigante estão operando com capacidade de processamento limitada para os clientes.

Em pelo menos seis deles, a expectativa é que os problemas sigam até o começo do ano que vem, segundo dois gerentes da Microsoft e um engenheiro de um grande cliente que falaram com o The Information.

A lista dos data centers com problemas incluiria inclusive localizações centrais como o estado de Washington, onde a Microsoft está sediada, e outros na Europa e Ásia.

No jargão interno da Microsoft, os centros estão operando na “zona amarela”, uma qualificação intermediária representando funcionamento com funcionalidades reduzidas, entre o funcionamento normal e uma parada de sistemas.

Em outra matéria, o jornal britânico The Telegraph parece confirmar a situação, revelando que duas regiões de nuvem no Reino Unido deixaram de aceitar novos clientes para serviços como o banco de dados Cosmos e máquinas virtuais.

A publicação teve acesso a uma mensagem enviada ao provedor de serviços gerenciados QuoStar, afirmando que “devido à alta demanda nessa região”, a Microsoft não poderia atender os pedidos de compra.

A mensagem oferece ainda a possibilidade de receber um alerta sobre a disponibilidade dos serviços a cada dois meses, o que indica que não se trata de uma situação pontual.

Os problemas de ampliação de capacidade podem afetar também o Brasil.

Por aqui, a Azure tem uma região de nuvem em baseada em São Paulo desde 2014.

Em outubro de 2020, a empresa inaugurou sua segunda zona, baseada no Rio de Janeiro.

Na época, a companhia disse que também "trabalhava para oferecer" novas zonas de disponibilidade da Microsoft Azure para a região Sul do país até o início de 2021. Não houve novos anúncios desde então.

Os problemas com o Azure não são novos. Em março de 2020, o serviço de nuvem teve algumas paradas mais sérias e problemas para fazer updates em aplicações.

A Microsoft tratou de dar um viés positivo à situação na época, falando de uma situação fora do normal causada pela explosão do trabalho remoto em meio à pandemia (o que era verdade).

Essa situação excepcional, no entanto, já foi há dois anos, e os problemas atuais parecem decorrentes do que se poderia chamar de “novo normal”, com problemas para produção de semicondutores, uma situação que analistas apontam que pode durar anos.

Em nota, a Microsoft não chega a reconhecer todo o cenário descrito pela The Information, falando apenas que “tomou medidas para endereçar o aumento de capacidade para os clientes, ao mesmo tempo em que incrementa o número de servidores nos data centers”.

A Microsoft agrega ainda que a “prioridade é assegurar continuidade de negócios para os clientes” e que “se for necessário implementar restrições de capacidade, elas focarão primeiro em testes e cargas internas, visando priorizar os clientes já existentes”.

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