Cliente pode acabar tendo que pagar mais. Foto: Pexels.

A PWC recomenda que fornecedores de software incrementem ações de “verificação de licenças”, um eufemismo para auditorias de compliance, como forma de aumentar receitas em meio à crise desatada pela pandemia do coronavírus.

A recomendação faz parte do relatório “Where next for the software industry?”, no qual a gigante de consultoria aponta que as previsões de crescimento para o mercado de software global passaram de entre 6% a 9% para entre 0% a -7% devido ao Covid-19, relata o site britânico The Register.

“Quando for apropriado, medidas de verificação de licenças podem ser uma medida efetiva para incrementar receita no curto prazo. Contratos vindo para renovação devem ser revistos e otimizados quando possível”, recomenda a PWC.

A frase pode causar arrepio em alguns grandes compradores de software, para os quais auditorias de software representam muitas vezes aumentos repentinos de custos por quebras de termos de licença ou uma forma de pressão por fazer upgrades.

Talvez os conselhos da PWC já estejam em prática no Brasil: em março, em meio aos dias iniciais da quarentena, algumas grandes empresas do Rio Grande do Sul receberam avisos de auditorias de grandes fornecedores, o causou indignação nos bastidores da comunidade de TI.

A PWC também recomenda aos vendedores de software oferecer seus produtos por assinaturas, como forma de evitar perda de receita em negociação de licenças anuais, além de oferecer mais trials, incentivos e suporte de implementação para tentar aquecer a demanda.

O incremento de autorias de software pode ser um problema, na medida em que muitos clientes não são muito aptos em fazer o gerenciamento dos seus ativos de software, sendo basicamente reativos à auditoria dos fornecedores.

Estudos do Gartner apontam reduções de custos na faixa de 30% para quem adota soluções de gerenciamento de ciclo de vida de software (SLM, na sigla em inglês).

Outro estudo da RightScale, por exemplo, fala em um desperdício médio de 35% na contratação de recursos de nuvem pública.

A estimativa da SoftwareONE, que oferece software de SLM,  é que, dentro de um orçamento tradicional de TI, 20% seja gasto em software. 

Dentro desse montante, 30% estão destinados a licenciamento, 26% a manutenção e 18% a subscrições, todas rubricas que entram dentro de uma boa prática de SLM.

Tipicamente, 80% dessas despesas ficam concentradas em um grupo pequeno de grandes fornecedores, em contratos de longo prazo e os outros 20% em um grupo maior de fornecedores, no qual há uma quantidade maior de entra-e-sai (esse grupo deve aumentar: de 2010 para cá, o número de fornecedores de software no mundo saltou 10x, para 100 mil).