Totvs teve sua primeira queda trimestral. Foto: Shutterstock.

A Totvs fechou o primeiro trimestre de 2016 com uma receita líquida de R$ 551,4 milhões, uma queda de 1% frente ao resultado mesmo período do ano anterior.

Essa é a primeira queda na receita líquida em base trimestral divulgada pela Totvs. O processo de desaceleração no crescimento da companhia já vem de algum tempo.

No ano passado, a companhia divulgou receita líquida de R$ 2,2 bilhões, uma alta de 3%, bem abaixo dos 10% de 2014 ou dos 14% de 2013. 

Ainda no segundo trimestre de 2010, a Totvs comemorava o 18º crescimento consecutivo acima de dois dígitos, de 18% na ocasião.

Como já vinha fazendo nos últimos trimestres, a Totvs frisou na sua divulgação trimestral o avanço da conversão do modelo de negócios da companhia de licenças para assinaturas mensais.

Esse foi o primeiro trimestre que a receita de subscrição superou a receita de licenciamento, totalizando R$ 334 milhões, valor 8,7% superior ao mesmo período do ano anterior.

No trimestre, o crescimento da receita proveniente do modelo de subscrição foi de 16,3%, para R$ 52,1 milhões.

Existe muita conversão de receita a ser feita ainda. No ano passado, quando o modelo de assinaturas cresceu 21%, ele atingiu apenas 10% da receita total de software.

Essas vendas são feitas por meio da modalidade Totvs Intera, no qual o cliente define e gerencia quantas identidades estarão habilitadas a ter acesso a todos os softwares de gestão, produtividade e colaboração da empresa em alguma nuvem homologada pela companhia. 

Em um primeiro momento, a nova abordagem gera queda na receita, uma vez que as empresas não pagam mais licenciamento.

“Entendemos que o cenário econômico é delicado, mas temos confiança de que estamos no caminho certo com o modelo de subscrição, a especialização por segmento e a integração das operações da Bematech”, destaca Gilsomar Maia, CFO e diretor de Relações com Investidores.

A integração com a Bematech está cobrando seu preço. O lucro líquido da companhia registrou R$ 49,8 milhões no trimestre, 39% abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior.

Em nota, a Totvs atribuiu a queda no lucro ao endividamento líquido resultante da aquisição da Bematech, um negócio de R$ 550 milhões fechado em agosto do ano passado.

Mesmo assim, a empresa está respondendo. O EBTIDA do primeiro trimestre totalizou R$ 114,6 milhões, crescimento de 34,8% sobre o EBITDA ajustado do quatro trimestre do ano passado. 

A melhoria é atribuída pela pela recuperação da margem de contribuição de software e serviços, e da otimização de estruturas administrativas e pelo início da integração das operações de Totvs e Bematech. 

É difícil analisar o que significam os resultados da Totvs no contexto mais amplo do mercado de ERP, tanto pelo domínio de mercado da companhia no país como pela falta informações sobre a performance do principal concorrente, a SAP.

Desde o primeiro trimestre de 2014, quando divulgou crescimento de “um dígito” na receita total e na receita de software e serviços relacionados, a multinacional alemã não abre mais informações sobre sua operação brasileira.

Concorrentes nacionais da Totvs seguem divulgando taxas de crescimento altas. 

A Senior, um dos maiores players independentes restantes no mercado, teve crescimento de 21% em sua receita bruta no primeiro trimestre, para R$ 54,6 milhões.

A Sankhya, empresa mineira de sistemas de gestão com boa entrada entre pequenas empresas, faturou R$ 80 milhões no ano passado, uma alta de 23% frente aos resultados de 2014.

No entanto, essas companhias não tem o tamanho da Totvs, que, segundo o último levantamento sobre o mercado de TI feita pela Fundação Getúlio Vargas (EAESP-FGV), domina 51% do mercado de ERPs para companhias com até 170 usuários.