Bill McDermott. Foto: divulgação.

Para abrir o SAP Saphire 2015, o CEO da SAP, Bill McDermott não dispensou declarações de efeito, delineando o plano da companhia alemã para o futuro em uma única palavra: simplicidade. Com isso em mente a empresa anunciou novas parcerias (Google) e tratou de eliminar possíveis rumores como a compra da Salesforce.

"Já estamos além do software como serviço e sim estamos no negócio de 'simplicidade como serviço'", destacou o CEO em seu keynote no evento, em Orlando.

A declaração de McDermott tem a ver com os esforços da companhia em consolidar uma ampla gama de aplicações sobre uma única plataforma - no caso o Hana, solução de banco de dados em memória lançado em 2013.

O plano da companhia foi expandido este ano com o lançamento do S/4 Hana, cantado pela multinacional como o próximo sistema de gestão da marca, totalmente rodado sobre Hana. No Brasil, ele já está em uso por três empresas - Dasa, Ceitec e IRB-Brasil.

O novo foco repercute inclusive nos drivers de crescimento da SAP. No primeiro trimestre de 2015, a receita foi puxada pela expansão recorde da oferta de softwares na nuvem, que passou de € 219 milhões para € 503 milhões, crescimento de 129%.

Sucessor do R/3, ERP carro-chefe da empresa, o S/4 representa para a companhia esta mudança de visão, de sistemas integrados de forma simplificada, desde os módulos administrativos, passando por produção, supply chain, vendas, cloud e outros.

Esta nova postura interfere até em aspectos clássicos da SAP, que construiu sua fama e fortuna em cima de seus ERPs. Entretanto, em seu keynote e coletiva, McDermott não se referiu ao S/4 Hana como um ERP e sim como uma parte integrante de um projeto mais ambicioso, com o Hana no centro.

"Observamos que muitos negócios e processos podem evoluir a partir do S/4 e de outras soluções concomitantes que temos em Hana, como Ariba (e-procurement), Business Objects (BI), Hybris (e-commerce), SuccessFactors (RH) e Concur (despesas)", destacou o CEO.

McDermott também destacou o desempenho do Lumira, plataforma de visualização de dados que usa Hana para agregar dados dos módulos de gestão SAP. Segundo o chefe executivo, a demo da solução já foi baixada mais de 500 mil vezes desde o lançamento em meados do ano passado.

Em relação ao Lumira, a SAP anunciou uma expansão da parceria da companhia com o Google, combinando o Google Sheets com o framework do Lumira para dashboards e inteligência de dados, incluindo armazenamento e compartilhamento de dados via Google Drive.

Inicialmente a parceria englobará o SuccessFactors e a interface de usuário Fiori. Segundo a empresa, um objetivo futuro é integrar a suite do SuccessFactors com a do Google Drive, possibilitando o uso de Google Apps através do Fiori.

“Se isso é um facilitador para quem usa ferramentas do Google e SAP, será um facilitador para o processo de trabalho", afirmou o CEO da SAP.

Para Steve Lucas, , presidente global de soluções em plataforma da SAP, o novo modelo de vendas também tem impactos na estrutura de parceiros da empresa, simplificando também a venda e instalação do produto.

De acordo com o executivo, o cliente pode usar a SAP Store para comprar a licença no ato ou desbloquear sua solução trial para a completa em questão de minutos, sem preocupação com hosting ou integrações.

"Tirando das revendas a preocupação com a parte mecânica destes negócios, como a venda em si ou a renovação de contratos, estes canais podem elevar a sua proposta de valor, não apenas instalando SAP, mas se tornando um verdadeiro parceiro de negócios do cliente", completou Lucas.

CUTUCADA NA SALESFORCE

A parte de CRM também foi endereçada com o anúncio do SAP Digital For Customer Engagement, solução nativa em Hana na nuvem. Voltada a negócios de médio e pequeno porte, a solução oferece uma versão gratuita com recursos limitados e uma versão completa por US$ 30 por usuário.

Em sequência ao anúncio, McDermott foi perguntado sobre a possibilidade da SAP ser a possível compradora da Salesforce, empresa de CRM em nuvem que foi alvo recente de rumores sobre uma possível venda. A resposta veio pronta: 

"A SAP nunca teve interesse em adquirir negócios em declínio ou no caminho de comoditização. Por isso, temos zero interesse na Salesforce.com", disparou o CEO.

Segundo o executivo, o desinteresse na Salesforce - que também teria supostos pretendentes como Oracle, Microsoft, entre outras - tem a ver com a nova postura da companhia. De acordo com o CEO, a companhia de Marc Benioff não atende ao futuro integrado e simplificado proposto pela marca alemã.

Para McDermott, o caminho da SAP para CRM envolve questões importantes como comércio multicanal, supply chain e customização de aplicações - demanda recentemente atendida pela Salesforce.

"Para estas demandas temos soluções como o Hybris e o Hana Cloud Platform. Entretanto, se você não se importa com isso, fique a vontade e ligue para a empresa do Sr. Benioff", finalizou Lucas.

*Leandro Souza viajou ao SAP Sapphire 2015, em Orlando, a convite da SAP.