Vinícius Pinheiro, um dos diretores da E-Core.

A E-Core fechou o ano passado com uma marca pouco comum para empresas do seu porte no Brasil: dos R$ 17 milhões faturados pela companhia, 80% vieram do mercado externo.

Não foi um caso isolado. As vendas externas já respondem por mais da metade das vendas da E-Core desde 2009.

A empresa tem um time de 12 profissionais em Nova York, formado na grande maioria por profissionais oriundos da operação brasileira, que conta com 100 pessoas em Porto Alegre e uma filial recém-aberta em São Paulo.

“O primeiro americano foi faz um mês. Damos preferência a pessoas da casa, algumas das quais já estão há quatro anos por lá”, explica Vinícius Pinheiro, um dos diretores da E-Core.

A história internacional da E-Core começou em 2005, com um contrato com a Bunge Global Agribusiness, braço de trading de grãos da Bunge, para quem a empresa havia desenvolvido um sistema de logística no Brasil em outra divisão.

“Entramos substituindo alguns fornecedores indianos. Foi o que nos levou a mandar o primeiro colaborador para os Estados Unidos”, lembra Pinheiro.

A competição com empresas da Índia, o grande fornecedor de outsourcing dos Estados Unidos, é uma constante na trajetória americana dos gaúchos, que esperam fechar o ano com R$ 20 milhões, alta de 17% frente aos resultados do ano passado.

Embora não possa competir em preço, a E-Core tem encontrado espaços em empresas que já tiveram experiências ruins de offshore, fazendo valer fatores como um fuso horário mais amigável, que permite uma relação melhor com os clientes.

Hoje, a companhia mantém contratos com grandes empresas do setor financeiro como BNP Paribas e o Royal Bank of Scotland e tem feito investidas para se posicionar como um fornecedor de empresas do ramo de software e companhias com modelos de negócio baseados na Internet.

“É nessa área que a companhia aposta para crescer no futuro”, diz Pinheiro.

Entre os clientes com esse perfil, estão a Atlassian, uma fornecedora americana de softwares de gerenciamento de ciclo de vida de aplicações (ALM, na sigla em inglês) para quem a E-Core faz o desenvolvimento de software e parte do atendimento dos clientes de Porto Alegre.

Outros clientes são redes sociais e plataformas de e-commerce americanas, que terceirizam o desenvolvimento como forma de poder crescer mais rapidamente, atendendo o desejo de investidores de escalar os volumes de negócio.

Os fundos, os investidores e a pressão sobre as empresas nascentes, aliás, está desembarcando no Brasil: segundo dados da Associação Brasileira de Private Equity & Venture Capital (ABVCAP), a indústria de Private Equity & Venture Capital deve ter um crescimento de 20% no Brasil, em 2012.

Esse é um dos motivos pelos quais a E-Core abriu recentemente sua filial em São Paulo. Um dos primeiros clientes é a Dafiti, um e-commerce brasileiro especializado em produtos de luxo.