CÓDIGOS

Microsoft compra GitHub por US$ 7,5 bi

04/06/2018 10:52

Empresa promove que nada muda no repositório de código. Será?

GitHub está sob nova direção. Foto: flickr.com/photos/dasprid/

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A Microsoft comprou o GitHub, o maior repositório de projetos de programação do mundo, por US$ 7,5 bilhões.

A informação já vinha circulando há alguns dias e foi confirmada pela companhia nesta segunda-feira, 04.

A Microsoft vai pagar o negócio com suas ações, que aumentaram de valor 38% no ano passado, chegando a superar em valor do mercado a Alphabet, dona do Google.

Em 2015, o GitHub recebeu um aporte de capital de US$ 250 milhões de uma série de fundos, incluindo nomes famosos como Sequoia Capital e Andreessen Horowitz. Na ocasião, a avaliação era de que a companhia valia US$ 2 bilhões.

"O GitHub manterá seu ethos de colocar os desenvolvedores primeiro,  sua operação independente e seguirá uma plataforma aberta", afirmou o CEO da Microsoft, Satya Nadella, em um post no blog da empresa.

De acordo com as fontes da Bloomberg, o GitHub preferiu vender o negócio para a Microsoft a  fazer uma abertura de capital na bolsa em parte por causa da boa impressão causada pelo CEO da gigante de software, Satya Nadella.

Nadella vem fazendo movimentações de aproximação com o universo do open source e desenvolvimento de software desde que assumiu o cargo, em 2014, mas a compra do GitHub é de longe a mais chamativa.

O GitHub é uma versão online do Git, um software de controle de versões de software para trabalho em equipes criado pelo em 2005 pelo próprio Linus Torvalds para controlar o desenvolvimento do kernel do Linux.

O serviço entrou no ar em 2008 e se tornou um sucesso entre desenvolvedores, que usam a versão free do site para compartilhar código, divulgar seu trabalho e interagir com outros profissionais. 

Mesmo assim, a empresa está no vermelho: foram US$ 66 milhões em perdas nos primeiros três trimestres de 2016, frente a uma receita de US$ 98 milhões. O GitHub  também está em CEO há nove meses.

Em abril de 2017, o GitHub tinha 20 milhões de usuários e 57 milhões de repositórios.

A aquisição é um passo da Microsoft rumo às suas origens. Os primeiros produtos da companhia eram softwares para programar para o MITS Altair, um computador popular nos anos 70. 

Com a introdução dos sistemas operacionais, começando pelo MS-DOS nos anos 80 e o Windows nos anos 90, a Microsoft passou a basear seu negócio em software proprietário e fechado, tornando-se a grande antagonista da abordagem de código aberto que tem no GitHub um dos seus núcleos.

A Microsoft, no entanto, está mudando e vem adotando cada vez mais software open source em projetos de computação em nuvem, nos quais está o futuro da empresa, hoje a líder absoluta no espaço junto com a Amazon Web Services.

A empresa já era, por exemplo, uma das maiores contribuidoras corporativas do GitHub.

Ainda em abril, a Microsoft lançou sua primeira versão do Linux, como parte de um novo produto chamado Azure Sphere, um sistema para garantir a segurança dos pequenos processadores embutidos em eletrodomésticos, brinquedos e outros gadgets conectados.

Apesar de toda essa aproximação, a compra por parte da Microsoft certamente gerará uma debandada de programadores mais engajados em projetos open source. 

O tamanho do estrago vai depender das movimentações pós-aquisição da Microsoft, que comprou o GitHub em parte para reforçar suas credenciais como uma empresa de desenvolvimento de software.

A Microsoft comprou o Linkedin dois anos atrás, por US$ 26,2 bilhões, em outra movimentação que teve por consequência tornar a empresa dona de um grande repositório de informações profissionais.

A rede social seguiu independente e basicamente a mesma (o que não pode ser considerado uma notícia totalmente boa, tendo em conta a interface sofrível do Linkedin).

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