Chuck Robbins. Foto: divulgação.

A Cisco anunciou nesta segunda-feira, 04, que Chuck Robbins, VP senior de operações globais da companhia, assumirá a partir de 26 de julho a cadeira de CEO da fabricante de equipamentos de telecom.

Robbins terá a missão complicada de ocupar a cadeira deixada por John Chambers, que ficou à frente da companhia norte-americana por 20 anos. O novo CEO, que trabalha na multinacional desde 1997, também faz parte do conselho da empresa.

Apesar de sair do cargo de CEO, Chambers, um dos executivos mais respeitados do mercado de tecnologia, seguirá na alta cúpula da fabricante, como chairman do conselho. No seu perído como chefe executivo, Chambers aumentou a receita da empresa de US$ 1,2 bilhão em 1995 para US$ 48 bilhões em 2014 - um crescimento de mais de 3000%.

Para Chambers, a Cisco encontrará uma forte liderança com Robbins, que foi selecionado em meio a outros dez candidatos em potencial para a vaga. 

"Nosso próximo CEO precisa avançar em um ambiente altamente dinâmico, ser capaz de acelerar o que está funcionando para a Cisco, e inovar no que é preciso mudar. Chuck tem a habilidade de traduzir visão e estratégia em execução global, reunindo times e ecossistemas para trazer resultados", avaliou Chambers.

No cargo de VP de operações globais, Robbins esteve à frente de diversas mudanças recentes da companhia, sendo ums dos principais responsáveis pela reformulação da política de vendas da empresa e o crescimento da divisão corporativa, com um percentual anual de 8%. Atualmente, esta divisão representa 25% dos negócios da empresa.

Além disso, Robbins esteve à frente de importantes aquisições e a diversificação do portfólio que a companhia promoveu nos últimos anos. Duas grandes aquisições foram a da Sourcefire em 2013 (um negócio de cerca de US$ 2,7 bilhões), e a da fabricante de equipamentos de wireless Meraki em 2012, por US$ 1,2 bilhão.

"Estou focado em acelerar a inovação e execução que nossos clientes precisam de nós. Em uma época em que nossa indústria está à beira de mais inovação do que nunca,não poderia estar mais confiante em nossa habilidade de vencer ou mais honrado em liderar esta grande companhia", afirmou Robbins em nota à imprensa.

Em termos estratégicos, o novo CEO terá a tarefa de direcionar a companhia em novos caminhos além do já solidificado mercado de switches e redes. Em abril, durante uma convenção com parceiros da marca, a empresa destacou que software e segurança serão pontos focais para os negócios da companhia nos próximos anos.

Para reforçar a nova estratégia, a Cisco anunciou um novo programa de parceiros de software, adicionando três novos papéis: consultoria, integração e assessoria de ciclo de vida de software.

Além disso, a empresa anunciou o Cisco One, plataforma integrada que oferece soluções de de colaboração, segurança, dados e analytics, aplicações preparadas para IoE e gerenciamento.

Na parte de segurança, a Cisco quer se consolidar como uma empresa "one-stop shop", eliminando a necessidade que a maioria das empresas tem em adotar várias soluções de segurança, em diferentes instâncias do ambiente de TI.

Apesar das novas direções, Robbins também terá que lidar com uma pesada concorrência na parte de redes, com fogo vindo tanto de rivais na parte de equipamentos, caso da chinesa Huawei, como em aplicações de rede definidas por software (SDN), área em que empresas como VMWare, Alcatel-Lucent, também entraram na briga.

A própria Cisco, para não perder o bonde, adquiriu no final de 2013 a Insieme Networks, empresa especializada em SDN, por US$ 863 milhões. Em abril deste ano, a multinacional comprou também a Embrane, empresa de SDN voltada à camadas de firewall, VPN, controladores de carga para serviores e SSL.

Segundo dados do IDC, o mercado global de SDN para os segmentos corporativo e provedores de nuvem vai crescer de US$ 960 milhões em 2014 para mais de US$ 8 bilhões em 2018.