Novo governo segue a mobilização em torno do assunto Indústria 4.0. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil.

Foi fundada em Brasília nesta quarta-feira, 03, a Câmara Brasileira da Indústria 4.0, um órgão formado majoritariamente por pelo governo e entidades semi-governamentais, focada na para facilitar a integração de iniciativas de fomento da indústria 4.0, a manufatura avançada e a internet das coisas.

"O momento é de discutir aplicações. Em que casos investir e como disponibilizar recursos. Vamos aproveitar o que temos para darmos o passo seguinte, que é a Internet das Coisas", disse o ministro interino do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Júlio Semeghini, durante a cerimônia de lançamento da Câmara.

O lançamento sinaliza o interesse da nova administração em manter a mobilização em torno do tema indústria 4.0, que começou com força durante o governo Michel Temer (PMDB).

Nove participantes formarão o conselho superior da Câmara: Ministério da Economia, Ministério de Ciência e Tecnologia, ABDI, FINEP, CNPq, Sebrae, Emprapii, BNDES, e, como a única representante da iniciativa privada, a Confederação Nacional da Indústria.

Doze entidades empresariais apoiaram a iniciativa, incluindo na lista a Brasscom, que reúne o PIB de TI do país; a Anprotec, onde estão agrupados os parques tecnológicos e a Associação Brasileira de Internet Industrial, uma associação fundada em Joinville que aproxima indústria e players de tecnologia.

Outros nomes que estão na lista são a Abimaq, SindiTelebrasil, Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit) e Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

O governo federal tem feito muito barulho em torno do assunto de IoT como um viabilizador da chamada Indústria 4.0, na qual sensores em maquinário e produtos combinados com softwares analíticos abrem uma série de novas possibilidades.

A visão é que uma movimentação bem sucedida em torno do assunto será um marco para a economia brasileira, comparável ao processo de privatizações ocorrido na década de 1990.

As iniciativas em torno do assunto vem se acumulando nos últimos meses, muitas delas envolvendo atores que agora participam da nova Câmara.

O BNDES e o Ministério de Ciência e Tecnologia estão preparando lançaram no ano passado um estudo, como base para um Plano Nacional de Internet das Coisas.

Em julho do ano passado, a Finep anunciou a abertura de uma linha de crédito de R$ 1,5 bilhão para apoiar iniciativas ligadas a Internet das Coisas até o final de 2018, no que é o maior programa de financiamento do governo até o momento voltado para o assunto.

ESTÁGIO ATUAL DA INDÚSTRIA 4.0

O Brasil ainda está atrasado quando o assunto é Indústria 4.0, de acordo com uma pesquisa com 759 grandes e médias empresas realizada pelo Projeto Indústria 2027, uma iniciativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), em parceria com os institutos de economia da UFRJ e Unicamp.

O termo só é uma realidade hoje em 1,6% das empresas brasileiras do setor industrial. Em 10 anos, a projeção é de que cheguem lá 21,8%.

De acordo com a pesquisa, só 15,1% dos pesquisados tem projetos em adoção nas áreas de internet das coisas, inteligência artificial, armazenamento em nuvem e big data, cuja combinação gera o cenário de manufatura avançada descrito pelo termo Indústria 4.0.

A maioria (45,6%) está realizando estudos iniciais ou têm planos aprovados sem execução. Por fim, 39,4% não têm nenhuma ação prevista no tema. 

JOINVILLE É UM POLO

O estado mais adiantado em relação ao tema de Indústria 4.0 é Santa Catarina, que combina uma base industrial forte com ecossistema desenvolvido de empresas de tecnologia.

Em agosto de 2016, Joinville, principal cidade industrial do estado, passou a sediar a Associação Brasileira de Internet Industrial (ABII), formada pela Fiesc em parceria com a Pollux Automation e a Embraco com a meta de replicar no Brasil o trabalho do Industrial Internet Consortium (IIC).

O ICC foi fundado em 2014 e  reúne reúne players mundiais de tecnología como AT&T, IBM, GE e Intel, além de organizações como a GS1, visando a promoção de padrões de Internet Industrial que permitam massificar a Indústria 4.0. Neste ano, a ABII se tornou associada.

Outra movimentação em nível catarinense foi a parceria entre a Vertical Manufatura da Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia (Acate) e a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) lançaram o Cluster Nacional para a Indústria 4.0.

O objetivo do cluster é “acelerar a adoção dos conceitos” relacionados à Indústria 4.0, explicam as entidades. 

Isso será feito por uma aproximação entre as empresas fornecedoras de tecnologias como sensores, software analítico e processamento de dados na nuvem, agrupadas na Acate, e os potenciais compradores interessados em turbinar suas linhas de montagem e produtos finais, representados pela Abimaq.