Pedro Parente. Foto: divulgação.

A Bunge, multinacional que atua nos segmentos de alimentos e bioenergia, anunciou um investimento de US$ 500 milhões para a construção de um moinho no Rio de Janeiro. No entanto, segundo a companhia, este aporte é pequeno perto do potencial do país, que sofre com a desconfiança dos investidores internacionais.

A revelação foi feita pelo presidente da Bunge no Brasil, Pedro Parente, durante o 2º Almoço da Exportação, promovido pela Associação dos Dirigentes de Marketing e Vendas do Brasil (ADVB).

Segundo Parente, o Brasil saiu da agenda dos investidores estrangeiros como um mercado atraente e interessante, devido aos entraves gerados pelas frequentes mudanças regulatórias e tributárias, além dos altos custos da produção.

"Nos últimos 20 anos, mais de 240 mil atos regulatórios foram liberados", disparou Parente.

O cenário tributário influiu, inclusive, na estratégia de negócios da Bunge, que suspendeu a fabricação de óleo bruto e a industrialização de farelo de soja na unidade da empresa em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul.

"Nós fomos obrigados a cessar operações de processamento de soja porque estávamos num nível de acumulo de créditos que era insustentável”, explicou o executivo, destacando os valores de créditos tributários gerados ao pagar PIS/Cofins na compra do grão que não se consegue debitar na venda, devido à desoneração de produtos como óleo.

Além da denúncia, Parente fez um apelo ao governandor Tarso Genro, presente no evento, pedindo que o processo de ressarcimento destes créditos seja acelerado.

"Nós queremos reabrir a planta aqui, mas, nesta situação, não conseguimos fazer”, afirmou.