Eunézio Souza, Mauricio Meneses e Benedito Aguiar Neto. Foto: Leandro Negro/Fapesp.

Considerado um dos materiais do futuro, o grafeno é uma nanopartícula extraída do grafite, de apenas um átomo de espessuura e mais de 100 vezes mais forte que o aço. E a Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), tradicional instituição privada de ensino em São Paulo, resolveu comprar seu lugar na corrida científica despertada por este material.

Para isso, foram investidos cerca de R$ 100 milhões - provindos do Mackenzie e Fapesp - na construção do MackGraphe, laboratório de estudos aplicados em grafeno e outros nanomateriais, destinado a desenvolver novos usos e capacidades destes materiais ainda pouco explorados.

Inaugurado esta semana no campus da universidade, o Mackgraphe pretende alinhar o meio acadêmico e industrial para impulsionar o uso do grafeno através de suas aplicabilidades.

O laboratório explorará o uso do grafeno e outras substâncias em focos como fotônica para telecomunicações, potencial energético e materiais compósitos, aproveitando as variadas propriedades destes produtos, como sua leveza e condutibilidade.

Segundo especialistas, materiais como o grafeno podem em até 10 anos gerar cerca de US$ 1 trilhão em vários setores, que podem ir de defesa, filtragem de água, a materiais plásticos e displays flexíveis e transparentes para smartphones.

"Por sua condutibilidade, já se cogita o uso do grafeno como um substituto ao silício na criação de placas de computação", afirma o professor Eunézio Antonio Thoroh de Souza, coordenador do MackGraphe.

Segundo aponta Thoroh, o como o grafeno foi descoberto em 2004 pelo físico russo André Geim, ele ainda está no início de sua pesquisa, e é essa oportunidade que o Mackenzie pretende aproveitar com o centro.

"Queremos formar especialistas para dominar a cadeia de processamento deste material e levar estas inovações ao meio produtivo em sequencia", explicou o professor.

Para o reitor da UPM, Benedito Aguiar Neto, o Brasil tem a chance de ser um grande player na corrida do grafeno. Segundo ele, o Brasil perdeu sua chance na pesquisa do silício, extraído de materiais minerais, que existem em abundância no Brasil.

"Temos o desafio de inserir o Brasil no mapa da inovação com o desenvolvimento de pesquisas e patentes que contribuam à competitividade nacional", afirmou o reitor.

Atualmente a China é responsável por 1,1 milhão de toneladas de grafite, seguida da Índia. O Brasil é o terceiro lugar neste ranking. Para ter uma ideia, atualmente 1kg de grafite custa US$ 1, enquanto 1kg de grafeno sai por US$ 15 mil. De cada 1 kg de grafite é possível extrair 150g deste produto.

Com este potencial, o plano do MackGraphe é levar suas pesquisas para perto do setor privado, a fim de fomentar suas descobertas e inovações com estes nanomateriais.

"Nosso plano é ir de encontro às indústrias e instituições que representam o meio em outros estados, levando informações sobre este material e seus usos em potencial", afirmou Maurício Melo de Meneses, diretor do Instituto Mackenzie, mantenedora na universidade e responsável pelo investimento no MackGraphe.

Para o executivo, à medida que bons resultados surgirem com as pesquisas e o mercado começar a ver o potencial do novo produto, o processo pode se inverter, com as empresas procurando o laboratório.

Um exemplo deste envolvimento já ocorre na universidade de Manchester, que tem um laboratório parceiro do MackGraphe. Na universidade inglesa, marcas como Sharp, Huawei, Siemens, HP e Airbus já conduzem estudos conjuntos na área de grafeno e nanomateriais.